Eleita a pior música da história, canção de 1968 virou hit duas vezes e ganhou uma reviravolta digna de filme 

“MacArthur Park” dividiu ouvintes desde 1968, mas ganhou uma segunda vida nas pistas de dança com Donna Summer

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A música que provocou milhares de reclamações também chegou ao topo das paradas e continua despertando opiniões opostas (Foto: City of Boston Archives / Wikimedia Commons)

A música que provocou milhares de reclamações também chegou ao topo das paradas e continua despertando opiniões opostas (Foto: City of Boston Archives / Wikimedia Commons)

Uma música sobre um bolo deixado na chuva conseguiu uma façanha curiosa: foi considerada a pior canção da história por milhares de pessoas e, ainda assim, virou sucesso duas vezes. 

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Lançada originalmente em 1968 na voz de Richard Harris, “MacArthur Park” foi escrita por Jimmy Webb e rapidamente se tornou uma das músicas mais comentadas de sua época. Décadas depois, a versão disco de Donna Summer levou a composição novamente ao topo.

O contraste entre rejeição e popularidade é justamente o que tornou a trajetória da faixa tão incomum. Para alguns ouvintes, as imagens da letra pareciam poéticas. Para outros, eram simplesmente difíceis de entender.

O mistério do bolo

A canção tem mais de sete minutos na gravação de Harris e reúne uma série de imagens pouco convencionais. Entre elas está a famosa referência a um bolo deixado na chuva.

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A letra passou décadas provocando a mesma dúvida entre os ouvintes: afinal, o que aquela história queria dizer?

Foi justamente essa estranheza que ajudou a transformar “MacArthur Park” em um dos casos mais curiosos da música pop.

Webb, porém, sempre rejeitou a ideia de que os versos fossem aleatórios. Segundo o compositor, as cenas mencionadas na letra foram baseadas em coisas que ele realmente havia visto.

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A votação que mudou tudo

A fama de música controversa ganhou outra dimensão anos depois. O colunista de humor Dave Barry decidiu fazer uma pesquisa com leitores sobre as piores músicas já lançadas.

Mais de 10 mil pessoas participaram da consulta, que posteriormente também deu origem ao livro Dave Barry’s Book of Bad Songs, publicado em 1997.

No resultado, “MacArthur Park” apareceu em primeiro lugar como a “pior música da história moderna”. A reação dos leitores foi tão intensa que a pesquisa acabou se tornando um fenômeno por conta própria.

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Entre as críticas estavam a duração considerada excessiva, a letra enigmática e a quantidade de vezes que a música tocava nas rádios.

Mesmo assim, virou sucesso

A ironia é que a rejeição de parte do público nunca impediu a música de alcançar números expressivos.

A gravação de Richard Harris chegou ao segundo lugar da Billboard Hot 100 em 1968. A faixa também alcançou o primeiro lugar no Canadá e na Austrália.

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A origem da composição também é curiosa. Webb havia pensado na música como parte de uma obra muito maior, depois de ser desafiado pelo produtor Bones Howe a criar uma composição pop ambiciosa e dividida em várias partes.

O grupo The Association chegou a recusar a música. Webb então seguiu outro caminho e a gravação acabou nas mãos de Harris.

Donna Summer mudou a história

Uma década depois, “MacArthur Park” ganhou uma transformação completa.

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Donna Summer levou a composição para o universo disco em 1978, incluindo uma nova versão no álbum Live and More. A gravação foi editada para chegar às rádios e acabou passando três semanas no primeiro lugar da Billboard Hot 100.

Para Summer, o resultado teve um peso ainda maior: aquele foi o primeiro número 1 de sua carreira na principal parada americana.

A mesma música que havia provocado rejeição e piadas nos anos 1960 encontrava, portanto, uma nova geração de ouvintes nas pistas de dança.

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Por que a música continua famosa?

Mais de cinco décadas depois, a discussão sobre “MacArthur Park” ainda não desapareceu.

A faixa ganhou defensores e críticos, mantendo justamente a característica que marcou sua trajetória desde o começo: ninguém parece ficar completamente indiferente a ela.

A canção também voltou ao radar de uma nova geração em 2026, quando a patinadora Alysa Liu utilizou a música em sua apresentação livre durante os Jogos Olímpicos de Inverno, em uma performance que terminou com a medalha de ouro.

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O caso mostra uma das contradições mais interessantes da música popular: uma obra pode ser ridicularizada por parte do público e, ao mesmo tempo, conquistar espaço suficiente para sobreviver por décadas.

No caso de “MacArthur Park”, a receita ainda ganhou um ingrediente inesperado: quanto mais as pessoas discutiam se a música era brilhante ou absurda, mais difícil parecia esquecê-la.