Os créditos de carbono gerados pela Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, no Rio Uruguai, entre Águas de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, e Alpestre, no Rio Grande do Sul, passaram a ser comercializados no mercado internacional. A operação foi viabilizada pela AXIA Energia, que detém 40% da Foz do Chapecó Energia (FCE), em parceria com a empresa suíça Ameron Energies AG.
Nesta primeira operação, foram comercializados 10 mil créditos de carbono, relacionados às emissões de gases de efeito estufa evitadas pela geração de energia renovável da hidrelétrica.
Os créditos estão vinculados ao Projeto 896 — Foz do Chapecó Project — registrado no padrão Verified Carbon Standard (VCS), da Verra, organização internacional que estabelece padrões para o mercado voluntário de carbono.
Na prática, os créditos representam emissões que deixaram de ser lançadas na atmosfera em razão da geração de energia pela usina. A hidrelétrica contribui para o Sistema Interligado Nacional (SIN) ao produzir energia renovável e reduzir a necessidade de fontes mais intensivas em carbono.
Usina tem capacidade para abastecer cerca de 5 milhões de residências
A Usina Foz do Chapecó tem 855 megawatts (MW) de capacidade instalada e produz energia suficiente para atender aproximadamente 5 milhões de residências.
Segundo a AXIA Energia, a abertura do canal internacional amplia as possibilidades de comercialização dos atributos ambientais associados à geração de energia da usina e permite que os créditos brasileiros sejam apresentados a compradores corporativos de outros países.
“A abertura desse canal internacional de comercialização de créditos de carbono mostra como a AXIA Energia, uma empresa 100% renovável, pode gerar valor para clientes e parceiros ao combinar conhecimento do setor, relacionamento de mercado e visão de longo prazo. É uma iniciativa que conecta ativos renováveis brasileiros a novas oportunidades globais e reforça nosso compromisso com soluções que apoiam a transição energética”, afirma Cecilia Essinger, gerente executiva de Estruturação de Produtos e Ativos Ambientais da AXIA Energia.
A comercialização foi estruturada com a participação da Ameron Energies AG, empresa suíça especializada na originação, estruturação e comercialização internacional de ativos ambientais.
Para Eduardo Posch, diretor de Mercado de Carbono da Ameron, a operação representa uma oportunidade para ampliar a presença dos créditos brasileiros no mercado internacional.
“O Brasil reúne condições únicas para se consolidar como um dos principais exportadores de atributos ambientais, apoiado por uma matriz elétrica com cerca de 88% de geração renovável, segundo a EPE. A implementação da Lei nº 15.042/2024 também deverá impulsionar novos projetos voltados aos mercados regulados, no Brasil e no exterior”, afirma.
Mercado de carbono
A operação ocorre em um momento de expansão das discussões sobre o mercado de carbono no Brasil. A Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), estabelece as bases para a criação de um mercado regulado de carbono no país.
Além da comercialização dos 10 mil créditos, a iniciativa pretende criar um novo canal para a negociação dos ativos ambientais relacionados à produção da Foz do Chapecó.
“A abertura deste novo canal de comercialização reforça o compromisso da Foz do Chapecó Energia com a valorização de seus atributos ambientais e com a busca contínua por soluções que ampliem a sustentabilidade do negócio. Estamos empenhados em dedicar os esforços necessários para consolidar essa iniciativa, fortalecendo nossa atuação no mercado de carbono e contribuindo para que a geração de energia renovável da usina continue promovendo benefícios ambientais reconhecidos nacional e internacionalmente”, afirma Otávio Rennó Grilo, diretor da Foz do Chapecó Energia.
A Foz do Chapecó Energia opera a usina há 15 anos. Até 2024, a hidrelétrica havia produzido mais de 57 milhões de MWh. A empresa também mantém programas ambientais relacionados à conservação da biodiversidade, monitoramento, educação ambiental e recuperação de áreas no entorno do reservatório.
A usina possui cerca de 5 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) no entorno do reservatório e é certificada pela norma ISO 14001, voltada à gestão ambiental.






