Desde 2025, a circulação do vírus do sarampo aumentou no continente americano. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES-SC), de junho de 2026, foram registrados 22.324 casos confirmados no primeiro semestre do ano, para toda a região. A maior causa provável do aumento é o fluxo de pessoas decorrentes da Copa do Mundo FIFA.
O Brasil é reconhecido mundialmente pela luta contra o vírus do sarampo, tendo recebido certificação de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2015 e novamente em 2024. Entretanto, voltaram a aparecer casos pelo país e autoridades de saúde acendem alerta.
Por que o vírus voltou a circular?
De acordo com informações da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), responsável pela detecção e prevenção de doenças em Santa Catarina, a principal razão para o retorno do vírus é a circulação de pessoas em países com surtos ativos da doença em decorrer da Copa do Mundo 2026, sediada no México, Estados Unidos e Canadá.
O estudo de junho da SES confirmou 11.532 casos no México, seguido pelos Estados Unidos com 2.073 e Canadá com 1.071.
Alerta de atenção chegou ao Brasil
A SES do estado de São Paulo divulgou o registro de 24 casos na primeira semana de agosto. A SES do Rio de Janeiro também informou uma ocorrencia na região.
Os dados disponibilizados pela DIVE, afirmam que os últimos casos de sarampo no estado foram registrados em 2020, e desde então, a cobertura de vacinas garantiu a saúde da população contra a enfermidade.
Dessa forma, considerando o cenário epidemiológico internacional e a ocorrência de casos importados no Brasil, a Secretaria de Estado da Saúde, publicou a Nota de Alerta nº 004/2026 como medida preventiva.
A Nota orienta os municípios e os serviços de saúde a reforçarem as ações de vigilância e resposta, incluindo:
- intensificação da vigilância epidemiológica e da notificação imediata de casos suspeitos;
- investigação oportuna de todos os casos suspeitos, com coleta adequada de amostras para diagnóstico laboratorial;
- identificação e monitoramento de contatos, quando necessário;
- verificação e atualização da situação vacinal da população, especialmente de viajantes e pessoas com esquema vacinal incompleto;
- sensibilização dos profissionais de saúde para o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas do sarampo e adoção imediata das medidas de controle.
Vacinação é a principal forma de prevenção
O site oficial do Governo brasileiro informa que o sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.
Especialistas ainda não descobriram uma cura para o sarampo, mas a doença pode prevenida por meio da vacinação. A cobertura inclui de uma a duas doses do imunizante:
- 12 meses à 29 anos de idade: 2 doses da vacina;
- 29 anos à 59 anos de idade: 1 dose da vacina;
- Profissionais da saúde (independe da idade): 2 doses.
Santa Catarina tem cobertura acima da média nacional
Os dados da DIVE comprovam que a Santa Catarina apresenta cobertura vacinal superior à média nacional em 16 dos principais imunobiológicos do calendário infantil do Ministério da Saúde.
Para a vacina do sarampo, a primeira dose (D1) foi realizada em 96,05% das crianças de um ano de idade. E para a segunda dose (D2), a cobertura estadual foi de 85,48% da população.
Como saber se estou com sarampo
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o sarampo é uma doença viral que afeta principalmente crianças e é uma das mais contagiosas do mundo, sendo transmitida por gotículas do nariz e boca, durante tosses, falas, espirros e respiração das pessoas infectadas.
Os sintomas variam de febre alta, coriza, vermelhidão nos olhos até manchas brancas no interior da bochecha e marcas e bolinhas vermelhas no rosto e pelo corpo.
Casos de sarampo duram de duas a três semanas para recuperação, e podem haver complicações, decorrentes do exposição ao vírus, como cegueira, diarreia intensa, infecções nos ouvidos, inflamação no tecido cerebral e pneumonia.
*Sob Supervisão de Nicoly Souza
