A Maracutala, uma marca que surgiu de uma receita despretensiosa em um bar de Itajaí e hoje fatura milhões, segue alcançando bons números no mercado brasileiro. Apenas no primeiro semestre de 2026, a indústria catarinense de licores comercializou 261,2 mil garrafas, quantidade que supera em 50 mil unidades a mais do que no mesmo período do ano passado. O resultado representa uma alta de 24,93% nas vendas.
Além do aumento das garrafas vendidas, a empresa também ampliou a participação no mercado e consolidou a liderança na categoria de licores. Atualmente, a Maracutala atende mais de três mil clientes e está presente em mais de 700 cidades em todo o Brasil.
Segundo a marca, a expansão acontece através de uma rede de distribuição que reúne vendas diretas e indiretas e tem auxiliado a ampliar a presença da bebida tradicional de Itajaí para outras regiões do país. Para a empresa, o avanço reflete o fortalecimento da operação e a maior aceitação entre consumidores, distribuidores e varejistas.
Para a a diretora comercial e de marketing da Maracutala, Flávia Fantin, os números representam mais do que apenas o aumento nas vendas. “Mais do que crescer em volume, a Maracutala vem conquistando uma fatia cada vez maior do mercado. Esse aumento do nosso share mostra que estamos fortalecendo nossa liderança na categoria de licores e consolidando uma marca construída com qualidade, relacionamento e muita dedicação”, destaca a executiva.
Maracutala surgiu de receita de bar
Nicolau Franzoi Neto, o Tala, era cliente de um bar que estava quebrado. Decidiu, então, assumir o ponto e complementar o cardápio com uma receita artesanal e despretensiosa de batida de maracujá, em 1993. Ele não imaginava, mas estava plantando a semente para a empresa que hoje fatura R$ 18 milhões.
A freguesia aprovou a bebida, que começou a virar sinônimo de “esquenta”. O boca a boca funcionou, os pedidos aumentaram, os clientes queriam levar para a casa. Os filhos de Tala notaram que estavam diante de uma oportunidade. Um deles, Andro Franzoi, também é dono de churrascaria e passou a servir a batida no estabelecimento.
A Maracutala — junção entre maracujá e Tala — nasceu em 2014. No início, Andro começou a garimpar pequenos comércios, bares e conveniências de Itajaí, mais tarde expandindo também para cidades vizinhas, como Navegantes, Penha e Piçarras. Para facilitar a entrada no mercado, a receita teve o teor alcóolico diminuído para 13%. A “original”, feita pelo Tala no fogão do bar, tinha entre 25% e 30%. O prazo de validade também precisou ser ampliado.
O negócio começou a ganhar ainda mais corpo no pós-pandemia e uma consultoria foi contratada para estruturar o crescimento. O portfólio ganhou novos sabores (morango, côco, chocolate, chocolate branco, doce de leite e paçoca) e evoluiu para uma linha de licores. Hoje já são mais de 500 mil garrafas produzidas e distribuídas em 3 mil clientes, entre eles grandes redes varejistas da região Sul do país.
A fábrica de mil metros quadrados, instalada em um galpão alugado, emprega em torno de 20 pessoas, mas já está ficando pequena. Dentro de três anos, estima Andro, a Maracutala quer ter um prédio próprio para suportar o aumento da demanda. A empresa está começando a entrar em novos mercados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás e prepara a diversificação do portfólio, com novos sabores de licor, vinho branco gaseificado e chá gelado.
Com 25 vendedores representantes — número que logo deve ser ampliado —, a empresa projeta superar R$ 20 milhões em faturamento em 2026.






