Fundada em 1913 pelo imigrante italiano Giuseppe Caruso Mac Donald, a antiga Vinícola Caruso Mac Donald guarda parte da história da produção industrial de vinhos em Urussanga, no Sul de Santa Catarina. O imóvel, que chegou a ter capacidade para armazenar até dois milhões de litros de vinhos e vermutes, hoje está deteriorado e aguarda a execução de um projeto emergencial de restauro.
A vinícola foi a primeira fábrica de vinhos de Urussanga a operar em padrões industriais e teve papel na disseminação do cultivo da uva Goethe na região. A produção no local foi encerrada em 1998, depois de décadas de atividade. Atualmente, mais de 50 tinas construídas com tijolos maciços ainda fazem parte da estrutura, que também é reconhecida como Patrimônio Histórico Municipal.
Em julho de 2025, o imóvel foi oficialmente tombado pelo município, medida que passou a garantir proteção legal à estrutura. O tombamento também impede alterações, reformas ou demolições sem autorização dos órgãos municipais de preservação.
Já em abril deste ano, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) apresentou um projeto emergencial de restauração elaborado a partir de avaliações técnicas que apontaram o avanço da deterioração do prédio. A proposta prevê medidas para estabilizar a estrutura, corrigir danos e preservar características originais, principalmente na fachada e na cobertura.
Apesar do projeto, ainda não há data para o início das obras. O município informou que busca recursos e parcerias para viabilizar a execução do restauro, e, até o momento, também não foi aberto processo licitatório para a contratação dos serviços.
De fábrica pioneira a patrimônio histórico
A trajetória da Caruso Mac Donald se confunde com o desenvolvimento da produção vinícola de Urussanga. Fundada por Giuseppe Caruso Mac Donald, a empresa participou da consolidação da uva Goethe na região e se tornou uma das referências da produção de vinhos no Sul de Santa Catarina.
No auge das atividades, a vinícola alcançou capacidade para armazenar dois milhões de litros entre vinhos e vermutes. A arquitetura da edificação também acompanha esse período de transformação: segundo estudo da arquiteta Tatiana do Amaral, o prédio reúne características ítalo-brasileiras, traços racionalistas e influência do art déco.
Com o encerramento da produção em 1998, o espaço deixou de exercer a função industrial que marcou sua história. Décadas depois, a preservação da antiga vinícola passou a integrar as discussões sobre a recuperação do patrimônio histórico de Urussanga.




