Praia paradisíaca de águas calmas é protegida por 31 canhões do século XVIII que nunca foram disparados em combate

Praia do Forte, em Florianópolis, é protegida pela Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída em 1740, e guarda um pedaço da história colonial da Ilha de Santa Catarina

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Tombada como patrimônio histórico em 1938, a fortaleza foi restaurada e atualmente é administrada pela UFSC (Foto: Divulgação, UFSC)

Praia do Forte, em Florianópolis, é protegida pela Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída a partir de 1740 (Foto: Divulgação, UFSC)

Águas calmas, faixa de areia cercada pela natureza e uma construção que remonta ao período colonial fazem da Praia do Forte um dos destinos mais curiosos do Norte da Ilha de Santa Catarina. Localizada entre Jurerê e Daniela, em Florianópolis, o local é protegido pela Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída no século XVIII e que chegou a contar com 31 canhões.

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A fortificação começou a ser erguida em 1740 e foi idealizada pelo brigadeiro José da Silva Paes, engenheiro militar e primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. Segundo a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a construção ocupava uma posição estratégica no alto do morro da Ponta Grossa, junto à atual Praia do Forte.

O objetivo era proteger a entrada da Baía Norte contra possíveis invasões estrangeiras. A Fortaleza de São José da Ponta Grossa formava, junto às fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, um sistema triangular de defesa da Ilha.

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Fortaleza na Praia do Forte chegou a ter 31 canhões

Um levantamento realizado em 1786 mostra o poder de fogo instalado no local. Naquele ano, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa possuía 31 canhões, sendo 26 de ferro fundido e cinco de bronze, segundo informações divulgadas pela UFSC. Apesar do arsenal, os canhões nunca foram disparados em combate.

O episódio mais marcante ocorreu durante a invasão espanhola à Ilha de Santa Catarina, em 1777. Naquele ano, uma grande esquadra espanhola chegou à região e desembarcou tropas em Canasvieiras. Em vez de tentar entrar pela Baía Norte e enfrentar diretamente o sistema de fortalezas, os invasores avançaram por terra em direção à Fortaleza de São José da Ponta Grossa.

A superioridade espanhola fez com que os portugueses recuassem. Conforme relato publicado pelo Departamento das Fortalezas da UFSC, os espanhóis tomaram primeiro a Bateria de São Caetano e depois a Fortaleza de São José da Ponta Grossa sem que houvesse disparos.

A Ilha de Santa Catarina acabou ocupada pelos espanhóis e permaneceu sob domínio da Espanha por cerca de oito meses. O território posteriormente voltou ao controle português após o Tratado de Santo Ildefonso.

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Veja fotos da Praia do Forte

Fortaleza virou patrimônio histórico de Florianópolis

Com o passar dos séculos, a função militar perdeu importância e a Fortaleza de São José da Ponta Grossa acabou abandonada. Já em ruínas, o conjunto foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938.

Nas décadas seguintes, foram realizados trabalhos arqueológicos e de restauração. Entre 1991 e 1992, a maioria dos edifícios foi restaurada por meio do Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina – 250 anos na História Brasileira. Desde então, o monumento é mantido e gerenciado pela UFSC.

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Atualmente, a fortaleza permanece aberta à visitação e é a única administradas pela universidade que pode ser acessada por terra. Do alto das muralhas, o visitante encontra uma vista privilegiada do mar e da Praia do Forte, onde a construção erguida há quase três séculos ainda domina a paisagem.

Praia do Forte tem águas calmas e pouca urbanização

Localizada na entrada do canal da Baía Norte, a Praia do Forte recebe influência das águas oceânicas e tem características diferentes de outras praias de baía de Florianópolis, como Cacupé, Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui.

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Com areia branca e fina, águas claras e poucas ondas, é procurada principalmente por famílias e por quem busca um local mais tranquilo para passar o dia. O mar calmo também favorece atividades na água.

A região tem pouca urbanização e preserva uma paisagem marcada pelo mar de um lado e pelos morros do outro. Parte das casas pertence a descendentes dos primeiros moradores ligados à construção e à operação da Fortaleza de São José da Ponta Grossa, que completa a paisagem paradisíaca.

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Apesar de não contar com hotéis ou pousadas, a Praia do Forte possui restaurantes à beira-mar, com pratos à base de ostras, camarões e peixes. Alguns estabelecimentos oferecem mesas diretamente na areia.

O acesso de carro é feito por uma via que parte de Jurerê Internacional. Outra opção é chegar a pé a partir da Praia da Daniela.