Bárbara e Cleverson deixaram mais de quatro mil quilômetros para trás para recomeçar um novo lar do zero em Joinville, no Norte de Santa Catarina. Em Manaus, a família do casal acompanha de longe, por meio das redes sociais, a rotina que nasceu a partir de um sonho.
Aos 29 anos e com um trabalho estável como fisioterapeuta, Bárbara Nunes Castilho já traçava há algum tempo, junto ao marido, trabalhador da indústria, os planos para mudar de endereço em busca de crescimento profissional. Para ela, Manaus já não comportava mais o tamanho dos seus objetivos.
Veja fotos do casal que trocou o Norte pelo Sul
O que motivou a mudança do casal de Manaus para Joinville
Ao NSC Total, Bárbara revelou que os indicadores de violência foram um dos fatores que influenciaram o casal a recomeçar em um novo lugar, mesmo com uma vida financeira estabilizada. “A gente tinha uma vida boa, mas uma das coisas que motivou a gente a vir para cá [Joinville] foi porque Manaus é uma cidade muito violenta, os índices de crime lá estão aumentando muito”, relata dentro do que percebia no dia a dia.
“A gente não se imaginava criando os nossos filhos em Manaus por conta dessa questão da violência. E, assim, já era um desejo do nosso coração, já tinha algum tempo, só que até então não tinha dado certo”. Foi a demissão de Cleverson que agiu como um “empurrãozinho” do destino para que o casal tirasse os planos do papel para torná-los realidade.
Joinville não foi a primeira opção para a mudança
Em junho deste ano, saindo de Manaus, o casal desembarcou em Chapecó rumo a Concórdia, no Oeste catarinense, onde eles buscavam se estabelecer. No entanto, mesmo com um primo de Cleverson na mesma cidade, os dois não se adaptaram e, ainda na primeira semana, ambos resolveram trocar o destino final e procurar um novo lar.
Após horas cruzando as rodovias de SC, Bárbara lembra que, depois de uma breve passagem por São José e Balneário Camboriú, Joinville foi a cidade oficialmente escolhida para abrigar os manauaras. “A gente conseguiu emprego na mesma semana que chegamos aqui, tanto eu quanto o meu marido e sentimos aqui um lugar receptivo e a gente conseguiu assim se sentir bem. A gente conseguiu ter essa visão de crescimento aqui nesse lugar”, destaca.
Como foram os primeiros dias na maior cidade de SC
Mesmo com empregos garantidos logo de início, ela em uma clínica de fisioterapia que atende crianças neurodivergentes e ele como fiscal na Havan, a mudança continuou sendo desafiadora. “Se o nosso psicológico não estiver bem firme, a gente acaba ficando um pouco desesperado, porque não é fácil”, desabafa.
Um dos principais impasses vividos pelo casal de imigrantes foi a busca por uma nova casa. Levou cerca de um mês, entre visitas e ligações, para que Bárbara e Cleverson encontrassem um apartamento para alugar.
“Nós ficamos em um Airbnb por quase um mês e a gente ficou nessa busca de um lugar para alugar, até porque a gente queria um lugar que fosse semi-mobiliado, que a gente conseguisse comprar algumas coisas assim, só para complementar, e um valor também acessível, porque aí outra diferença que a gente achou aqui é que o aluguel é muito caro, em comparação a Manaus”, detalha.

Com um novo espaço para morar, as pequenas conquistas viraram cenas que ganharam as redes sociais. Bárbara, com o objetivo de compartilhar a jornada com outros migrantes na mesma situação, passou a criar conteúdos para a internet.
“Eu criei o perfil de uma forma bem despretensiosa, mas com o intuito de registrar tudo o que estava acontecendo, todo esse nosso processo de mudança até aqui”, explica. Atualmente, ela soma mais de quatro mil seguidores e milhares de visualizações.
Ida de carro até o mercado já mostrou diferenças na rotina
Não foi só o valor por mês de uma moradia que escancarou as mudanças de um estado para outro. Mesmo com as diferenças mais óbvias, como culturais, foi o trânsito que mais chamou a atenção dos migrantes em Joinville.
“A gente achou um pouco diferente de Manaus, porque tem vias aqui que você tem que se atentar às placas que ficam no semáforo. Tem vias que você só dobra para direita ou só dobra para a esquerda. Em Manaus não. Em Manaus tanto faz se você estiver na via da esquerda ou da direita, você consegue dobrar ou ir direto. Então a gente ficou um pouco perdido”, afirma.
Além das ruas, outra diferença percebida pelo casal foi o clima, ainda mais no inverno, quando as temperaturas costumam despencar mesmo em cidades famosas pelo “calorão”, como é o exemplo de Joinville. Ainda assim, Bárbara consegue encontrar semelhanças e ter a sensação de estar em casa, nem que seja em um breve momento do dia.
“Quando a gente chegou em Concórdia era muito mais frio do que aqui. Então, quando a gente chegou em Joinville, a gente se sentiu um pouco mais abraçado, porque tem uma parte da tarde que dá uma esquentada. Então a gente se sentiu mais em casa, com aquele quentinho da tarde”, diz.
Mais de quatro mil quilômetros separam família
A mudança de endereço também balançou os sentimentos dos ex-moradores de Manaus. Atualmente, cerca de 4,1 mil quilômetros de rodovias separam Bárbara e Cleverson dos pais e amigos. “É muito difícil. Assim, sinto muita falta dos meus pais, porque eu sempre fui colada com eles. Eu sou a filha mais próxima deles”, relata Bárbara.
Apesar das dificuldades, a fisioterapeuta diz estar esperançosa com o que o futuro reserva. “Logo quando eu cheguei aqui, a mamãe, a minha mãe, me ligava todo dia chorando: ‘Minha filha, volta, minha filha, volta’. Mas assim, a gente sabe que todo processo tem um propósito, né? Então, nós sabemos que o nosso processo aqui, ele tem um propósito e que na hora certa as coisas vão se ajustar e vai valer a pena”, finaliza.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira





