Centenas de pequenos Mozarts dourados tomaram Salzburg, mas mais de 200 desapareceram sem deixar rastro

A instalação artística foi criada para celebrar os 270 anos do compositor, mas acabou marcada pelo desaparecimento de centenas de peças

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Pequenas esculturas douradas ocuparam jardins e espaços históricos da cidade austríaca antes de começarem a desaparecer uma a uma (Foto: Pedro Krtička / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)

Pequenas esculturas douradas ocuparam jardins e espaços históricos da cidade austríaca antes de começarem a desaparecer uma a uma (Foto: Pedro Krtička / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0)

Durante algumas semanas, Salzburg ganhou uma espécie de exército dourado. Eram centenas de pequenas figuras de Mozart espalhadas pela cidade, como se o compositor tivesse deixado dezenas de versões de si mesmo pelos lugares onde viveu.

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A cena fazia parte de uma instalação artística criada para marcar os 270 anos do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart. Só que a homenagem tomou um rumo inesperado: mais de 200 das esculturas desapareceram.

Uma cidade cheia de Mozarts

A ideia parecia simples e, ao mesmo tempo, pouco convencional. O artista alemão Ottmar Hörl criou 320 pequenas esculturas douradas do compositor e as distribuiu por diferentes pontos de Salzburg, cidade natal de Mozart, na Áutria.

Uma das principais concentrações ficava no Jardim Mirabell, espaço ligado à história do músico. Ali, as figuras chamavam atenção justamente por serem diferentes das tradicionais representações de Mozart.

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Em vez de uma estátua monumental, havia dezenas de pequenos personagens espalhados pelo ambiente. A proposta fazia parte da instalação Mozart, o gênio indomável, realizada em parceria com a Fundação Mozarteum para celebrar os 270 anos do nascimento do compositor.

O detalhe escondido nas figuras

As pequenas esculturas também guardavam uma referência curiosa à vida de Mozart. Em uma das mãos, o compositor aparece com um gesto estendido. Na outra, está apoiada a cabeça de Pimperl, o cachorro da família Mozart.

O animal não foi colocado ali por acaso. Cartas da família mencionam Pimperl diversas vezes, e a presença do cachorro ajudava a construir uma representação menos solene do músico.

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Era uma maneira de mostrar Mozart fora do pedestal tradicional.

Só que, enquanto os visitantes observavam as figuras, algumas começaram a desaparecer.

O sumiço começou cedo

O primeiro sinal surgiu poucas horas depois da abertura da instalação.

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Duas esculturas foram levadas logo no início. Depois, o número cresceu.

Nas semanas seguintes, dezenas de pequenos Mozarts desapareceram até que mais de 200 das 320 peças originais já não estavam onde haviam sido colocadas.

A quantidade chamou atenção porque as esculturas não estavam escondidas em algum espaço fechado. Elas faziam parte de uma instalação pública espalhada pela cidade.

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A maior concentração estava no Jardim Mirabell.

Onde foram parar?

O desaparecimento ganhou um ar quase cinematográfico.

Pequenas figuras douradas que deveriam permanecer expostas em Salzburg simplesmente deixaram de estar ali.

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Segundo o artista, os furtos provavelmente foram organizados e podem ter ocorrido durante a noite, quando os prédios próximos já estavam fechados.

A sequência também não era totalmente inédita para Hörl.

Em 2023, uma instalação criada por ele com 100 pequenas estátuas de Richard Wagner desapareceu em Bayreuth, na Alemanha.

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Mozart também virou souvenir

Existe ainda um detalhe que ajuda a explicar o interesse pelas esculturas.

Cada pequeno Mozart tinha valor estimado em cerca de US$ 100. Com mais de 200 unidades desaparecidas, o prejuízo calculado pelo Smithsonian chegou a aproximadamente US$ 23 mil.

A intenção original era diferente.

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Depois do encerramento da exposição, as esculturas seriam vendidas. Antes disso, porém, uma parte significativa da instalação já havia deixado os espaços públicos de Salzburg.

A homenagem ficou incompleta

Das 320 figuras produzidas inicialmente, cerca de 110 permaneciam expostas, enquanto outras 100 estavam guardadas como reserva.

Ainda havia, portanto, uma espécie de segundo grupo de Mozarts esperando para entrar em cena.

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O problema era que a fábrica responsável pela produção estava fechada durante as férias de verão, dificultando a reposição imediata das peças desaparecidas.

A instalação que deveria transformar Salzburg em um cenário cheio de pequenos Mozarts acabou, assim, se tornando uma história sobre os que ficaram e os que sumiram.

E, em uma cidade tão ligada ao compositor, talvez o detalhe mais estranho tenha sido justamente esse: por algumas semanas, Mozart esteve por toda parte. Depois, mais de 200 versões douradas dele simplesmente deixaram de estar.