Para enfrentar a China com os seus acelerados investimentos em indústria, tecnologia e ciência, o Brasil precisa definir uma estratégia que possa reunir economia inovadora e relações políticas amistosas para facilitar negócios. Essa foi a síntese da mensagem dos palestrantes do Almoço de Ideias da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB/SC) nesta sexta-feira (14), no Hotel Majestic, que teve como tema “China – Contexto e Oportunidades para as Empresas Catarinenses”, sob a liderança da presidente da entidade, Melina Costa.
Os palestrantes foram o Embaixador Honorário de Santa Catarina para a China, o empresário de comércio exterior Bruno Maria, e o ex-ministro e empresário Vinicius Lummertz, que já viveram na China e hoje desenvolvem negócios e representação no país. Eles destacam a importância de entender a China e a visão de longo prazo do gigante asiático.
Falta política para competir com a China
“Falta para o Brasil uma política de longo prazo, porque a gente não consegue fazer nada em quatro anos. Precisamos de uma política que incentive o empresário, o investidor a produzir no Brasil. O que estamos vendo é o contrário, é uma desindustrialização. Isso não vai acabar bem”, destacou Bruno Maria, que fez mestrado em administração pública na Tsinghua University, em Pequim, e é CEO da BM3 Trading, que faz negócios com a China.
Bruno Maria avalia que a China está muito avançada em diversas áreas da economia, está liderando o registro de patentes e avança mais em tecnologia. Então, para Santa Catarina e o Brasil terem mais oportunidades com o país, é preciso aproveitar a potência que têm em recursos naturais para fazer produtos inovadores.
“É importante conhecer a China, entender a China. Eu recomendo muito visitar. Depois que a pessoa visita à China a gente brinca dizendo que tem um bichinho que pica e aí a pessoa passa a admirar a China. Eles têm muitas feiras. Eu recomendo visitar algumas feiras chinesas”, sugere o embaixador honorário de SC, Bruno Maria.
Ex-ministro critica Lula e Bolsonaro
O ex-ministro e empresário Vinícius Lummertz, afirmou que tanto o presidente Lula, quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro conduziram mal a relação do Brasil com os Estados Unidos e com a China.
Para ele, que tem representação nos dois lados – é conselheiro do Instituto Milken nos EUA e membro fundador da Aliança dos Municípios Turísticos da Rota da Seda na China- a relação do Brasil deve ser diplomática e de respeito com os dois países, que são os maiores parceiros comerciais do Brasil.
“Hoje, o Brasil é objeto de um grande conflito geopolítico, porque os Estados Unidos entenderam que tem que recuar para o seu espaço da doutrina Monroe e o Brasil está conduzindo isso mal. Tanto Lula quanto Bolsonaro (Jair) conduzem muito mal isso. Lula criticou o presidente Donald Trump 62 vezes no atual governo e Bolsonaro, quando era presidente, vivia criticando a China. Nós não precisamos disso. O Brasil precisa exportar para a China, exportar para o mundo exportar para os Estados Unidos”, ressalta Lummertz.
Para o ex-ministro, o Brasil se tornou muito valioso para o mundo, perigosamente valioso porque tem minerais terras raras, água, geração de energia para data centers e muitos outros recursos naturais. Mas com a política dos governos federais, está menor no mundo do que o seu próprio tamanho do ponto de vista político.
“Estamos brigando muito internamente, mas falta uma estratégia internacional ao país, para a sua economia”, alerta Lummertz.
ADVB/SC nos debates estratégicos
A presidente da ADVB/SC, Melina Costa, diz que para esse Almoço de ideias da entidade, o tema foi China em função da ampla relevância do gigante asiático para as empresas e a economia catarinense.
“Nas minhas visitas a empresários catarinenses identifiquei que o tema China é relevante para a economia do estado. Então, tivemos agora a oportunidade de trazer duas pessoas que conhecem o país para debater sobre esse tema. Estamos num momento em que entidades de Santa Catarina estão fazendo várias missões ao país asiático. Acreditamos que é nosso papel também fomentar essas discussões, trazer pessoas que possam ajudar esse debate”, afirmou Melina Costa.
