Casas Bahia pede recuperação judicial e revela tamanho do rombo bilionário que fez rede fechar 298 lojas

Rede varejista acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões

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Na última sexta-feira (14), empresa fechou lojas em todo o Brasil, incluindo unidades em Blumenau (Foto: Talita Catie, NSC Total)

A Casas Bahia protocolou neste domingo (16) um pedido de recuperação judicial, dois dias depois de anunciar o fechamento de 298 lojas em todo o Brasil – 18 delas em Santa Catarina. Ao recorrer à Justiça para pedir proteção contra credores, a rede revelou o tamanho do rombo bilionário que a forçou a encerrar unidades consideradas deficitárias, em um mais um caso de uma gigante varejista que se vê em apuros após contabilizar sucessivos prejuízos – situação que já atingiu outros nomes fortes do setor, como a Americanas, a Ricardo Eletro e a catarinense Schumann.

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Na petição em que reivindica os efeitos da recuperação judicial – que incluem suspensão de ações de execução, por exemplo –, a Casas Bahia informou que acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões. Os motivos alegados para a pior crise financeira já vivida pela rede são bem conhecidos do varejo nacional: alta da taxa de juros, inflação que afeta o poder de compra e o aumento da concorrência de plataformas internacionais, como Mercado Livre e Amazon.

No primeiro semestre de 2026, a Casas Bahia registrou um prejuízo de R$ 11,1 bilhões. Só no segundo trimestre, entre abril e junho, o rombo chegou a R$ 10,1 bilhões. Boa parte desse prejuízo (R$ 9,1 bilhões) são de impactos não recorrentes, informou a empresa em balanço, decorrentes de um redimensionamento da companhia para priorizar canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento.

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Em fato relevante divulgado ao mercado ainda no domingo, a Casas Bahia informou que o pedido de recuperação judicial foi ajuizado “em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras” enfrentadas pela empresa.

O documento cita, entre outros fatores, um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro, aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas.

“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, cita um trecho do documento.

A Casas Bahia informou ainda que, durante o processo de recuperação, pretende manter as operações em todos os seus canais existentes, “priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes”.