STF pode ter novas regras: OAB-SP propõe mandato de 12 anos e debates públicos antes de indicações ao Senado

Proposta elaborada por ex-ministros e juristas busca modernizar as regras de atuação na cúpula do Judiciário e alinhar as instituições às exigências contemporâneas.

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Proposta elaborada por juristas e pela OAB sugere novas diretrizes para o ingresso e a conduta de magistrados no Supremo Tribunal Federal. (Foto: Gustavo Moreno, STF)

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo apresentou uma reestruturação ampla das regras que regem a Suprema Corte e os órgãos de fiscalização do setor. O relatório propõe a fixação de mandatos de 12 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a atualização dos requisitos de ingresso.

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Medidas serão avaliadas pelo “grupo de trabalho” criado pelo STF para debater a modernização do sistema de Justiça. além de ser apresentado para o Congresso Nacional e ao Conselho Federal da OAB (CFOAB).

Evolução dos critérios de representatividade e ética

O estudo aponta que o limite etário atual de 35 anos se mostra insuficiente para atestar os requisitos constitucionais de notável saber jurídico e reputação ilibada sem o devido escrutínio público. Por isso, defende o piso de 50 anos e o estabelecimento de uma etapa de debates abertos à sociedade antes da apreciação do Senado.

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Na esfera comportamental, o projeto compila diretrizes para afastar polêmicas recorrentes por meio de um código de conduta formal. A proposta proíbe:

  • Julgamentos com participação de familiares das partes;
  • Manifestações políticas por parte dos ministros;
  • Atividades empresariais voltadas ao setor educacional;
  • Aceitação de viagens em aeronaves privadas.

Ajustes na estrutura administrativa do CNJ

No plano normativo, o levantamento contesta a centralização de competências no CNJ. Desde a sua instalação em 2005, o conselho produziu 680 resoluções, com 50 edições apenas em 2025, o que, segundo o documento, acaba por invadir o papel do Poder Legislativo e criar regramentos pouco assimilados pelo cotidiano forense.

Para corrigir o viés corporativo interno decorrente do predomínio de nove juízes na composição de 15 membros, defende-se a entrada de mais integrantes externos e a desvinculação da presidência do conselho da chefia do STF, além da distribuição equitativa das petições que hoje sobrecarregam a Corregedoria Nacional.

“Este documento é uma contribuição concreta para esse debate, construído com base técnica e independência… A reforma do Judiciário é uma agenda que não pode mais ser adiada”, declarou o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.

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O documento de 77 páginas é fruto de um trabalho colegiado coordenado sob a gestão de Leonardo Sica na OAB-SP. Participaram do processo os ex-ministros do STF Ellen Gracie e Antonio Cezar Peluso, os ex-titulares do Ministério da Justiça Miguel Reale Júnior e José Eduardo Cardozo, além dos acadêmicos e juristas Oscar Vilhena Vieira, Maria Tereza Sadek, Alessandra Benedito e as lideranças institucionais Patrícia Vanzolini e Cezar Britto.

*Com edição de Nicoly Souza