Lulinha, INSS, Marcola e lobista milionária: quais as acusações contra o filho do presidente Lula no STF

Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como "Lulinha", é investigado em três inquéritos em andamento no Supremo

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Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como Lulinha, está sendo investigado em três inquéritos em andamento no STF (Foto Reprodução)

Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como "Lulinha", é investigado pelo STF (Foto: Reprodução)

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), é investigado por suspeita de tráfico de influência no governo federal e corrupção. Uma das investigações apura a relação dele com a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Ao menos três inquéritos estão em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo o filho do presidente. Um deles apura mensagens entre Lulinha e Roberta, que é investigada por suspeita de participação no esquema de fraudes do INSS e por ter enviado uma minuta de um contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol para o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana, o “Marcola”.

Segundo O Globo, a lobista disse nas mensagens trocadas com Lulinha que os dois trabalham em “outro” nível e que o futuro deles é a Suíça:

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“Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente responde em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para c* e nunca dá em nada”.

Nas mensagens, Lulinha disse ainda ter participado de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, e com o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa. Quando a conversa ocorreu, Marcola despachava no gabinete presidencial e cuidava da agenda do presidente com parlamentares, ministros e empresários.

Os diálogos são analisados pela Polícia Federal para saber se Lulinha tinha algum papel nas articulações dos esquemas de fraudes do INSS.

Investigação também apura ligação com o “Careca do INSS”

Outra investigação apura, ainda, se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, em negociações com o Ministério da Saúde.

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Em janeiro deste ano, mensagens trocadas entre o “Careca do INSS” e seus funcionários na empresa World Cannabis indicaram que ele tentou vender produtos de canabidiol para o Ministério da Saúde entre o final de 2024 e o início de 2025, segundo informações do g1.

Em dezembro de 2024, funcionários do Careca compartilharam em um grupo de WhatsApp um arquivo de texto com a minuta de um Termo de Referência (TR) que previa a compra de 1,2 milhão de frascos de canabidiol pelo Ministério da Saúde. Não há informação da Polícia Federal de que esse documento seja o mesmo que Marcola recebeu.

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Segundo o g1, o TR é um tipo de documento que deve ser elaborado e publicado pelo Ministério. As mensagens sugerem que a intenção do lobista era entregar o texto já pronto para o Ministério da Saúde.

Na época, o até então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa confirmou que recebeu o Careca do INSS no ministério para uma reunião em janeiro de 2025. Em nota, disse que “a agenda ocorreu em conformidade com as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de ‘orientação’ para a sua realização”.

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“Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política”, afirmou ao g1 em janeiro.

O que dizem as defesas

A defesa do filho do presidente Lula disse ao Globo que “reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”.

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Além disso, a defesa disse que solicitará “uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”.

“Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional — crime previsto no art. 325 do Código Penal —, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria”, acrescentou.

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Outro ponto levantado pela defesa de Lulinha é de que não teve acesso parcial aos autos, e que Marcola não deu qualquer encaminhamento à minuta para a venda de medicamentos ao governo federal. O advogado, Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa do filho do presidente, reiterou também que Lulinha é amigo da empresária, mas não tem qualquer relação direta ou indireta com os negócios de Roberta.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que nunca existiu discussão sobre a oferta do medicamento a base de canabidiol na rede pública de saúde. Além disso, de acordo com a pasta, o produto não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e, que, dessa forma, não compra e nem fornece o produto.

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A defesa de Roberta Luchsinger e de Marcola não se manifestaram até a publicação dessa reportagem.