Cidade do interior tem praça com mais de 200 esculturas em árvores e transforma topiaria em atração turística

Victor Graeff transformou uma praça em museu a céu aberto com ciprestes moldados à mão desde 1989

Compartilhe:
A Praça Municipal Tancredo Neves, em Victor Graeff, reúne mais de 200 esculturas feitas em ciprestes (Foto: Larissa Fraga- Wikimedia Commons)

A Praça Municipal Tancredo Neves, em Victor Graeff, reúne mais de 200 esculturas feitas em ciprestes (Foto: Larissa Fraga- Wikimedia Commons)

Imagine caminhar por uma praça e, em vez de encontrar apenas árvores, descobrir animais, pessoas, pássaros e outras figuras moldadas diretamente nos ciprestes. É essa a experiência encontrada em Victor Graeff, pequena cidade do norte do Rio Grande do Sul que transformou o paisagismo em uma de suas principais atrações turísticas.

Continua após a publicidade

Com pouco mais de 3 mil habitantes, o município fica a cerca de 263 quilômetros de Porto Alegre e ganhou projeção justamente por uma praça que parece ter saído de um conto. O espaço reúne mais de 200 esculturas vivas, todas criadas a partir da poda artesanal das árvores.

O resultado é tão particular que a cidade passou a ser conhecida pela chamada “Mais Bela Praça do Rio Grande do Sul”. A atração faz parte de um conjunto de roteiros que combina jardins, cultura, gastronomia e tradições da colonização alemã.

A praça que virou um museu a céu aberto

A história começa na Praça Municipal Tancredo Neves, um dos principais cartões-postais de Victor Graeff.

Continua após a publicidade

O espaço foi fundado em 1982, mas sua transformação começou alguns anos depois. Em 1989, o agricultor Fredolino Selmiro Schmidt, conhecido como Seu Mírio, assumiu a manutenção da praça e começou a experimentar formas diferentes nos ciprestes.

O que inicialmente poderia parecer apenas uma poda criativa acabou se tornando um projeto artístico desenvolvido ao longo de décadas.

Seu Mírio utilizou ferramentas de jardinagem e a própria imaginação para transformar as árvores em figuras. As primeiras esculturas foram uma águia e um leão, dando início a uma coleção que cresceria continuamente.

Continua após a publicidade

Mais de 200 figuras feitas diretamente nas árvores

A técnica utilizada é conhecida como topiaria, prática de jardinagem que consiste em podar plantas para criar formas ornamentais.

Em Victor Graeff, porém, a técnica ganhou uma identidade própria. Os ciprestes foram transformados em representações de pessoas, animais, pássaros e até cenas e elementos arquitetônicos.

A característica mais interessante é que não se trata de esculturas instaladas sobre as árvores.

Continua após a publicidade

As próprias árvores são as obras de arte.

Isso faz com que o passeio tenha uma característica diferente de uma exposição convencional. As formas dependem do crescimento das plantas e precisam ser constantemente cuidadas para preservar seus contornos.

Além disso, a aparência das esculturas pode mudar ao longo do ano, acompanhando o desenvolvimento da vegetação e as diferentes estações.

Continua após a publicidade

Uma atração que colocou Victor Graeff no mapa turístico

O curioso é que a fama da cidade não surgiu de uma grande construção ou de um empreendimento turístico milionário. Ela nasceu de um trabalho manual realizado durante décadas.

Hoje, a praça integra o roteiro turístico de Victor Graeff e se tornou um dos principais motivos para visitantes conhecerem o município.

O governo estadual destaca a cidade como “Cidade da Mais Bela Praça e Terra da Cuca com Linguiça” e também apresenta o Caminho das Topiarias, Flores e Aromas entre seus roteiros. A proposta combina paisagismo e turismo rural, ampliando a experiência para além da praça central.