Uma final de um programa de televisão fez com que a jovem Thafne Toledo, de 13 anos, contestasse a pronúncia de uma das palavras da competição, feita pelo apresentador Luciano Huck. Anos depois, a jovem entrou com uma ação contra a Globo, mas o processo não teve como motivo principal aquele erro de pronúncia.
Na época, o Soletrando fazia parte do Caldeirão do Huck e reunia estudantes da rede pública de diferentes estados brasileiros. Os participantes precisavam soletrar palavras consideradas difíceis diante do professor de língua portuguesa Sérgio Nogueira e de um jurado convidado. Na segunda edição, realizada em 2008, a decisão ficou entre Eder Carlos Coimbra, de Minas Gerais, Thafne, do Paraná, e Amanda Costa, do Rio de Janeiro.
A palavra que causou o climão
Durante a final, chegou a vez de Thafne soletrar “infra-hepático”. O problema começou antes mesmo de ela iniciar a resposta.
Luciano Huck pronunciou a palavra de uma maneira que a participante considerou incorreta. O apresentador repetiu a pronúncia três vezes, enquanto Thafne pediu que ele dissesse novamente e apontou a diferença.
A situação deixou o ambiente tenso. Huck afirmou que já havia repetido a palavra, enquanto a estudante insistiu que a pronúncia havia sido diferente. O professor Sérgio Nogueira voltou a pronunciar o termo e, somente depois disso, Thafne conseguiu seguir com a soletração.
O episódio aconteceu ao vivo em uma competição na qual cada detalhe podia interferir no desempenho dos participantes. Ainda assim, o erro de pronúncia não foi o motivo pelo qual Thafne decidiu recorrer à Justiça anos mais tarde.
A disputa pelo prêmio
A final de 2008 tinha R$ 100 mil em jogo, destinados a investimentos nos estudos. Amanda foi a primeira eliminada, deixando Thafne e Eder na disputa pelo prêmio.
Thafne acabou ficando em segundo lugar depois de errar a palavra “hagiológio”, relacionada à vida dos santos. Eder, por sua vez, acertou “psicroestesia” e conquistou a competição.
O resultado, porém, não encerrou completamente a história. Anos depois, Thafne processou a TV Globo por danos morais e materiais.
Por que ela processou a Globo?
De acordo com a matéria-base, a ação não foi motivada pelo momento em que Luciano Huck pronunciou “infra-hepático” de forma equivocada.
A alegação apresentada por Thafne estava relacionada à própria disputa pelo título. Segundo ela, Eder teria pronunciado a palavra “homogeneidade” de maneira incorreta durante a final, dizendo “homogeneitate”, sem que isso provocasse sua eliminação.
A estudante sustentou que teria sido prejudicada pelo episódio e levou a questão à Justiça.
O processo tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No início do caso, foi determinada a realização de uma perícia com um especialista em fonoaudiologia.






