Cidade de SC com menos de 5 mil moradores é capital da carne e berço de história centenária

Conforme registros oficiais do município, "São João" faz referência a São João Batista, padroeiro da localidade, enquanto "Itaperiú" tem origem indígena

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São João do Itaperiú

São João do Itaperiú fica no Norte catarinense (Foto: Prefeitura de São João do Itaperiú, Divulgação)

A pequena São João do Itaperiú, no Norte catarinense, reúne paisagens naturais, uma história centenária e economia ligada ao agronegócio. Tudo em um município de apenas 4.463 habitantes, conforme o Censo 2022 do IBGE. Conhecida oficialmente como a Capital Catarinense da Carne Bovina e Ovina, a cidade registrou PIB per capita de R$ 102,1 mil e tem na agropecuária e na agricultura familiar pilares para o crescimento da região.

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Com cerca de 151 km² de território, São João do Itaperiú faz divisa com Luiz Alves, Barra Velha, Massaranduba, Guaramirim e Araquari. A cidade também está próxima de importantes polos econômicos catarinenses, como Joinville, Blumenau e Itajaí, além de ficar a cerca de 140 quilômetros de Florianópolis e próxima à BR-101. A posição favorece o acesso a corredores logísticos utilizados para o escoamento da produção.

Veja fotos de São João do Itaperiú:

A formação do município recebeu influência de açorianos, italianos, alemães e poloneses. Segundo a Prefeitura de São João do Itaperiú, os primeiros colonizadores açorianos chegaram à região após 1810 e, posteriormente, outros grupos de imigrantes se estabeleceram no território.

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Conforme registros oficiais do município, “São João” faz referência a São João Batista, padroeiro da localidade, enquanto “Itaperiú” tem origem indígena, relacionada a presença guarani histórica na região.

São João do Itaperiú fazia parte de Barra Velha

Apesar de ter apenas 34 anos como município, a história de São João do Itaperiú começou muito antes da emancipação. Segundo a administração municipal, em 1916 foi construída a primeira capela dedicada a São João Batista, que passou a ser o padroeiro da comunidade. A partir daí, a denominação São João do Itaperiú se consolidou, unindo a referência indígena do território à tradição religiosa dos moradores.

A relação com o campo já era marcante décadas antes de São João se tornar município. Na dissertação Um patrimônio cultural em conflito: memórias, morte e transferência do Cemitério da Lagoa em Barra Velha, a pesquisadora Angelita Borba de Souza, da Univille, descreve uma intensa movimentação entre Barra Velha e São João do Itaperiú quando a região ainda fazia parte de um mesmo território.

Segundo o trabalho acadêmico, muitas famílias de São João viviam da agricultura e ajudavam a abastecer o comércio da região. Carroças partiam de Barra Velha e voltavam carregadas com produtos como queijo, linguiça, leite, verduras e frutas produzidos no interior.

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O trajeto também era feito no sentido contrário. A dissertação cita os chamados “pombeiros varejistas”, comerciantes que compravam peixes diretamente das canoas dos pescadores de Barra Velha e seguiam a pé até São João do Itaperiú para revender ou trocar os produtos por outras mercadorias.

A ligação administrativa mudou ao longo das décadas. Inicialmente vinculada a Araquari, a localidade passou a fazer parte de Barra Velha após a criação do município, em 1961. Já em 1965, São João do Itaperiú foi oficialmente elevado à condição de distrito.

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A emancipação ocorreu somente em 29 de março de 1992, por meio da Lei Estadual nº 8.549, sancionada pelo então governador Vilson Pedro Kleinubing. São João do Itaperiú deixou oficialmente de fazer parte de Barra Velha e passou a ter administração própria.

Banana, arroz e frigoríficos movimentam a economia

O campo é um dos protagonistas de São João do Itaperiú. A agricultura familiar mantém forte presença no município, especialmente com o cultivo de banana e arroz. Dados da Epagri/Cepa mostram que São João do Itaperiú responde por cerca de 5,4% da área catarinense destinada à produção de banana na safra 2025/26. 

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O município aparece entre as principais regiões produtoras de uma cultura fortemente concentrada no Norte catarinense. Segundo a Epagri, as microrregiões do Norte respondem por 85,2% da produção de banana de SC.

Além da produção agrícola, a indústria de carnes ajudou a moldar a identidade econômica local. Em 20 de janeiro de 2014, a Lei Estadual nº 16.328 reconheceu oficialmente São João do Itaperiú como a Capital Catarinense da Carne Bovina e Ovina, justamente em razão da forte presença da indústria frigorífica, segundo a Prefeitura.

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Um dos principais nomes dessa trajetória é o Frigorífico São João, localizado na SC-415, em São João do Itaperiú. A história da empresa começou antes mesmo de sua fundação oficial.

Segundo o histórico divulgado pelo próprio frigorífico, em 2 de dezembro de 1950, João Espindola e Erna Kohler Espindola deixaram Jaraguá do Sul com os filhos em uma carroça puxada a cavalo em direção a Barra Velha. Foi ali que a família começou um pequeno negócio de abate de bovinos e suínos.

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Cinco anos depois, em dezembro de 1955, a família se mudou para São João do Itaperiú e manteve a atividade. Após a morte de João Espindola, em 1962, Erna e o filho Laércio continuaram o negócio. Em 1º de dezembro de 1974, foi oficialmente fundado o Frigorífico São João.

Festa de São João atravessa gerações e tem fogueira “gigante”

São João Batista ajuda a contar boa parte da identidade cultural da cidade. Um dos principais eventos do calendário municipal é a tradicional Festa de São João, realizada em junho e conhecida pela fogueira que pode chegar a mais de 30 metros de altura.

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A tradição se conecta diretamente à história religiosa do município. A primeira capela dedicada a São João Batista foi construída em 1916. O mesmo período marca aproximadamente o início da celebração que, mais de um século depois, continua reunindo moradores e visitantes.

Ao longo dos anos, a festa incorporou shows, gastronomia, celebrações religiosas e a construção da fogueira gigante. A fogueira se tornou tão ligada à identidade local que, em 3 de julho de 2026, foi sancionada a Lei Municipal nº 1.270, que reconheceu a tradição como Patrimônio Cultural Imaterial de São João do Itaperiú.

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Cachaça artesanal também preserva história familiar

Outra tradição que atravessa gerações no interior do município está no Morro dos Monos. O Alambique Momm foi fundado por Antônio Momm em 1954, depois que ele se estabeleceu em São João do Itaperiú vindo de São Pedro de Alcântara.

A família mantém a produção artesanal de cachaça a partir de um conhecimento trazido por seus antepassados da Alemanha. Os familiares chegaram ao Brasil em 1862 e se estabeleceram inicialmente na Colônia de São Pedro de Alcântara. Depois da morte de Antônio Momm, a produção passou a ser mantida pelos filhos e netos.