Jornalista à procura de renda extra comprou teares usados em SC e os transformou em gigante da moda infantil

Grupo Kyly começou na garagem de uma casa em Blumenau e hoje emprega mais de 5 mil pessoas direta e indiretamente

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Parque fabril fica em Pomerode (Foto: Divulgação)

O casal por trás da criação do grupo Kyly jamais imaginou que o negócio atingiria as cifras milionárias que tem hoje. Salézio Martins trabalhava como jornalista em Blumenau quando decidiu que precisava arrumar uma nova forma de ganhar mais dinheiro. Junto com a esposa, Claudete, comprou dois teares usados para vender malhas a pequenas confecções e, quase que por acaso, acabou dando origem à famosa empresa com sede em Pomerode.

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Salézio nasceu em Major Gercino, na Grande Florianópolis, mas veio para Blumenau em 1970 para cursar Letras na Furb. Permaneceu na cidade, passou a atuar como repórter e, foi em um dia de trabalho, ao ver alguns teares durante uma pauta, que teve a ideia de comprar dois para fazer uma “grana extra”. A esposa, que costurava, usou os equipamentos instalados na garagem de casa para tecer malhas e vendê-las.

Os teares foram batizados de “Tartaruga” e “Ligeirinha”. Os nomes dizem tudo: uma era bastante lenta e difícil de lidar, já a outra rendia bem e acabou virando símbolo do começo da história. Hoje, quem visita a matriz da Kyly em Pomerode encontra a “Ligeirinha” exposta na recepção.

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A gigante têxtil de Pomerode

Demanda pediu novos passos

Salézio sempre conta que nunca teve a pretensão de criar uma gigante da moda infantil. As coisas simplesmente foram acontecendo. Com a compra dos dois teares em 1985, a demanda por tecidos foi aumentando. Depois de um ano e meio, a garagem de casa passou a ficar pequena diante da necessidade dos clientes confeccionistas.

O jornalista e professor, que não deixou as profissões mesmo com o novo negócio dando retorno, conversou com o prefeito de Pomerode à época e conseguiu um espaço maior para trabalhar com a esposa.

Àquela altura já eram cinco teares, todos usados. O galpão de 540 metros quadrados pareceu um exagero, mas o casal desativou as operações na garagem e fez a mudança de endereço para a cidade vizinha. Salézio deixou os outros ofícios e começou a se dedicar exclusivamente ao negócio.

Pouco tempo depois, em 1989, a produção de malha em rolo dividiu o protagonismo com a confecção de roupas de linhas adulto e infantil. A produção com a marca Kyly iniciou somente em 1995, dez anos depois da compra daqueles dois primeiros teares. Kyly é o apelido de uma das quatro filhas do casal.

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Uma gigante de cifras milionárias

Apesar de não revelar o faturamento mais recente, há seis anos as cifras da Kyly chegavam a quase meio bilhão de reais. E, se lá atrás Salézio achava “demais” um galpão de 540 metros quadrados, hoje o parque fabril tem mais de 50 mil metros de área construída em Pomerode. O dono, inclusive, precisou comprar terrenos vizinhos para dar conta da expansão.

Milhares de empregos diretos e indiretos

Na direção da empresa, Salézio enxergou na necessidade do mercado por roupas infantis de qualidade uma oportunidade. Se antes a mesa de jantar servia para cortar as malhas que eram vendidas aos confeccionistas, hoje todo o processo é feito em Pomerode. Do floco de algodão ao fio, do fio à malha, da malha à estamparia, do corte à decoração, até os acabamentos finais.

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Apenas a costura é feita fora.

A Kyly tem seis unidades de costura próprias em Rodeio, Indaial, Pomerode, Blumenau, Joinville e Agronômica, além de locais parceiros. São cerca de 2,7 mil funcionários diretos e 3 mil indiretos.
As etapas de fabricação são realizadas internamente com rigoroso controle de qualidade em todas as fases dos processos, garante a empresa.

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A Kyly exporta e também possui uma franquia, a Milon. No mercado desde 2006, a marca é conhecida pela inspiração europeia e estilo clássico, e veste de bebês ao tamanho 14. Atualmente, são mais de 140 lojas físicas em operação.

Renda extra que virou gigante têxtil

Desde 2022 o grupo Kyly recebe o selo da “GPTW – Great Place to Work”, por ser um bom local para se trabalhar. Salézio encontrou um CEO, Robson Heidemann, que hoje lidera a empresa.

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Ao que parece, o estilo “pés no chão” que o fundador sempre teve se mantém como cultura da Kyly. Com investimentos certeiros, a companhia comemorou quatro décadas no ano passado.