Erich Fromm disse: “O amor imaturo diz: amo você porque preciso de você. O amor maduro diz: preciso de você porque amo você”, a reflexão do psicanalista sobre dependência afetiva

Publicada em 1956, a distinção do psicanalista alemão Erich Fromm inverte a ordem de duas palavras e, com isso, separa duas experiências que quase sempre são confundidas. A frase incomoda porque obriga a perguntar qual das duas está em jogo

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Retrato em preto e branco do psicanalista alemão Erich Fromm, de óculos, em meia idade

Erich Fromm publicou "A Arte de Amar" em 1956, defendendo que amar é uma capacidade que se desenvolve, e não um sentimento que simplesmente acontece. (Foto: Reprodução, Wikimedia Commons)

Existe uma pergunta que costuma aparecer tarde demais em um relacionamento, geralmente quando ele já está em dificuldade. Ela não é “eu ainda gosto dessa pessoa”. É mais desconfortável do que isso: o que exatamente eu perderia se ela não estivesse aqui.

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Em 1956, o psicanalista e filósofo social alemão Erich Fromm (1900 a 1980) formulou a distinção em uma única linha, invertendo a ordem de duas palavras:

O amor imaturo diz: amo você porque preciso de você. O amor maduro diz: preciso de você porque amo você.

A citação está em “A Arte de Amar”, livro que Fromm publicou em 1956 e que se tornou sua obra mais lida. Ela aparece no capítulo dedicado à teoria do amor, na seção em que ele descreve o que chama de amor erótico.

O livro nasceu de uma tese que Fromm defende logo nas primeiras páginas e que organiza tudo o que vem depois: amar não é um sentimento que acontece com a pessoa, é uma capacidade que ela desenvolve ou não desenvolve. Segundo essa leitura, quase todo mundo trata o amor como uma questão de encontrar o objeto certo, quando o problema real está na faculdade de amar.

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A frase sobre amor maduro e imaturo é a aplicação mais direta dessa ideia. Ela não descreve dois tipos de pessoa. Descreve dois estágios de uma mesma capacidade.

Na primeira formulação, a necessidade vem antes. O outro é valioso porque resolve alguma coisa: uma carência, um medo de ficar só, uma insegurança, uma função prática. O vínculo existe enquanto a função continuar sendo cumprida. Fromm não chama isso de erro moral, chama de imaturidade, e a palavra é escolhida com precisão. É o modo de amar de quem ainda não desenvolveu a capacidade de se sustentar sozinho.

Na segunda, o movimento é inverso. Existe primeiro um reconhecimento do outro como alguém inteiro, com história e vontade próprias, e a necessidade nasce disso. Não é a necessidade que produz o amor, é o amor que produz a necessidade.

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A diferença prática aparece em uma situação específica: o que acontece quando o outro muda. No primeiro caso, a mudança tende a ser vivida como ameaça, porque a função que ele cumpria está em risco. No segundo, ela é apenas mais uma informação sobre uma pessoa que continua sendo reconhecida como pessoa.

Setenta anos depois, a formulação de Fromm reaparece em vocabulários que ele não usaria, de “dependência emocional” a “vínculo seguro”. Nenhuma dessas versões é mais curta que a original, e é a economia da frase que explica sua permanência.

Ela também continua sendo desconfortável pelo mesmo motivo de sempre. A pergunta que ela devolve não é sobre a outra pessoa. É sobre quem está fazendo a pergunta.

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