A representação do Brasil na 73ª edição do Miss Mundo alcançou um momento de reflexão social durante as etapas preliminares do concurso internacional, que ocorre em Nha Trang, no Vietnã.
As candidatas de mais de cem países participaram da tradicional fase Head-to-Head Challenge, etapa na qual as misses dispõem de quatro minutos para apresentar suas trajetórias e as ações sociais ligadas ao projeto Beauty With a Purpose. Gabriela vem de destacando no confinamento e já integrava listas de favoritas de fãs do concurso e de missologos, mas após o Head-to-Head o apoio aumentou ainda mais.
Ao subir ao palco, a modelo e empresária Gabriela Botelho, coroada Miss Brasil Mundo 2026, optou por detalhar o momento em que decidiu se dedicar ao voluntariado. A brasileira de 25 anos começou questionando os presentes: “Qual é o sentimento mais comum quando se lida com causas urgentes?”.
“Enquanto vocês pensam nisso, gostaria de contar um pouco da nossa história. Em 2019, uma catástrofe aconteceu no meu estado. Uma barragem rompeu e causou a morte de mais de 270 pessoas. Quando isso aconteceu, eu simplesmente soube que precisava ir”, seguiu falando a miss.
E quando cheguei, vi os bombeiros. Lembro-me das famílias desesperadas. Lembro-me especificamente do cheiro. Era uma mistura de sangue e lama. Naquele dia, algo dentro de mim mudou. Encontrei meu propósito. Meu coração ardia e eu sabia que nunca mais ia querer sair daquele lugar. Então, pelos próximos 5 anos, trabalhei lá e foi o trabalho da minha vida
Neste momento, a miss retornou para sua pergunta inicial e contou que ao longo do tempo muitas pessoas responderam para ela que o sentimento mais comum a lidar com causas urgente é a “dor de lidar com as perdas”. “Mas mesmo na dor, existe um sentimento comum de impotência, de desamparo, porque você faz o que pode, mas ainda não é o suficiente”, pontuou Gabriela.
Assista ao discurso completo de Gabriela Botelho, Miss Brasil Mundo
Embaixadora da Casa de Maria
A vivência no acolhimento a famílias atingidas por catástrofes direcionou o trabalho posterior da representante brasileira para a causa das enfermidades raras. Atualmente, Gabriela atua como embaixadora da Casa de Maria, organização localizada em Belo Horizonte dedicada ao suporte e acolhimento de pessoas com doenças raras.
“Eu sabia que queria continuar trabalhando com causas urgentes porque me tornei a pessoa do agora. Preciso agir agora e preciso fazer mais. Preciso fazer mais. E então conheci a Casa de Maria, o primeiro centro de acolhimento para pessoas com doenças raras no Brasil. E lá me vi lidando novamente com o sentimento de impotência, de desamparo. Porque nascer com uma doença rara no Brasil praticamente significa nascer com uma sentença de morte”, disse Gabriela.
Em sua fala, Gabriela ressaltou os obstáculos enfrentados pelos pacientes no país, citando a demora média de cinco anos para a obtenção de um diagnóstico definitivo e a necessidade urgente de agilizar os tratamentos. A participante defendeu que a visibilidade dos concursos de beleza deve servir como ferramenta para direcionar a atenção do público a questões sociais que exigem rápida resposta da sociedade.
“O tempo é nosso maior inimigo. E isso acontece porque o sistema não está preparado para agir a tempo. E então eu soube que queria ser essa pessoa novamente. Sei que todos vocês estão aqui por um motivo. Aliás, esta é a história do meu porquê, do porquê de eu estar aqui. Estou aqui porque aqui no Miss World, posso fazer mais”, afirmou.
Ao final, Gabriela disse que no Brasil é costume dizer que uma miss é a voz dos que não têm voz e que “honestamente nunca gostou dessa frase”.
Trabalho com pessoas com causas urgentes há sete anos e todas elas têm voz e são fortes. Não acho que exista nada mais forte do que uma voz. Uma mãe implorando por um filho. É difícil. Mas estou aqui porque acredito que uma voz pode ajudar as outras, a encontrar o caminho certo para ajudar a salvar as crianças enquanto ainda há tempo
O Miss Mundo 2026 segue em andamento no sudeste asiático e terá sua grande final realizada no dia 5 de setembro. A vencedora do evento receberá a faixa e a coroa das mãos da atual detentora do título mundial, a tailandesa Opal Suchata.








