Erro em projeção de enchente precisa ser cobrado, mas não pode jogar pelo ralo trabalho da Defesa Civil de SC

População tem motivos para ter ficado irritada com falha, mas histórico de projeções é positivo, com mais acertos do que erros

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Previsão de enchente em Rio do Sul não se confirmou (Foto: Arquivo NSC Total)

Santa Catarina construiu ao longo dos anos – muitas vezes na marra, é verdade – um bem-sucedido modelo de prevenção e reação às enchentes, que virou referência para estados e municípios brasileiros. No Vale do Itajaí, ninguém deveria mais se surpreender com esse tipo de fenômeno climático. Todo mundo sabe que excesso de chuva indica que em algum momento o nível do rio vai subir e que um plano de contingência será colocado em prática para a desocupação de áreas alagáveis e possível ativação de abrigos.

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A Defesa Civil tem um papel fundamental nessas situações. É a principal responsável pelas projeções de chuvas, medições de cursos d’água e disparo de alertas para que a população se prepare com antecedência para reduzir os impactos das cheias. O histórico é positivo, com muito mais acertos do que erros. Mas quando há uma falha, como aconteceu na última semana, a credibilidade da instituição é colocada, com alguma razão, em xeque.

A população de Rio do Sul, especialmente, tem motivos para estar chateada. Foi alertada de um iminente risco de enchente na cidade com projeções iniciais de que o rio Itajaí-Açu poderia chegar a 9,5 metros – dois metros e meio acima da cota de 7 metros que já configura a ocorrência do efeito climático na cidade, suficiente para a ativação de abrigos. Muita gente esvaziou lojas e casas com receio dos prejuízos que o avanço das águas poderia proporcionar.

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Felizmente, a chuva foi mais fraca do que o previsto e a enchente não se confirmou. É menos pior pecar pelo excesso do que ser pego de surpresa. O erro por uma margem considerável, no entanto, naturalmente alimentou a desconfiança. Em tempos em que as pessoas são bombardeadas com fake news e defende-se tanto que a população busque informações em meios e canais oficiais, o episódio merece reflexão e deve servir de lição.

Ninguém, sejam pessoas, instituições ou governos, está imune às falhas. Mas sempre há tempo para se aprimorar processos, melhorar a comunicação e trabalhar para que esses riscos sejam reduzidos no que for possível. A Defesa Civil tem uma folha extensa de bons serviços prestados aos catarinenses. Reconhecer isso não é ignorar e nem deixar de ser firme na cobrança por explicações para o que aconteceu. Mas jogar tudo que já foi e é feito pelo ralo por causa deste episódio também não é o caminho mais prudente.

O El Niño está aí e especialistas apontam que ele muitas vezes é imprevisível, alterando as projeções de uma hora para a outra. Santa Catarina e o Vale ainda vão precisar por algum tempo de uma Defesa Civil atenta e capacitada para enfrentar o fenômeno.