A Metalúrgica Fey, de Indaial, Santa Catarina, que fatura mais de meio bilhão de reais e passou a ser liderada pela segunda geração da família fundadora, está priorizando a fabricação de peças especiais para exportações nos Estados Unidos e na Europa. As informações foram destacadas pelo vice-presidente de Administração e Finanças, Fernando Fey, na Federação das Indústrias de SC (Fiesc), onde a empresa é a expositora no Espaço da Indústria por um mês.
Fundada em 1966, a Metalúrgica Fey está completando 60 anos e conta com 800 colaboradores. Fabrica parafusos, porcas e peças metálicas conformadas em aço. Atualmente, a Fey exporta 10% da produção. O maior mercado está em países da América do Sul, mas o plano ampliar exportações na Europa e Estados Unidos.
Metalúrgica Fey, que está celebrando 60 anos, expõe produtos no Espaço da Indústria na sede da Fiesc:
“Estamos focando na internacionalização. Vemos muitas oportunidades, inclusive nos Estados Unidos com essa questão macroeconômica de concorrência com a China. Eles querem uma segunda opção de fornecimento como gestão de risco, para reduzir a dependência da China. Esse é o ponto interessante que a gente está trabalhando”, explica Fernando Fey.
Segundo ele, a ideia, por enquanto, é fabricar em SC e ter um centro de distribuição nos Estados Unidos. Essa alternativa também é estudada para a Europa.
De acordo com o empresário, a União Europeia está criando barreiras com ênfase em sustentabilidade, mas produtos brasileiros podem se diferenciar porque o país tem energia limpa.
Uma barreira europeia é o CBAM (Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono) tributação extra para quem não segue as normas ambientais que a UE exige.
“Também estamos tentando trabalhar muito em produtos de maior valor agregado, para fugir daquele parafusinho simples, das porca simples. Cada vez mais, os nossos clientes estão vindo com projetos bem específicos, complexos, que a gente leva alguns meses até conseguir desenvolver. Isso agrega valor e reduz risco da importação”, afirma o empresário.
Transição na liderança familiar
Além de priorizar a qualidade dos produtos, a Fey também estabeleceu uma governança de alto padrão. Os fundadores, Adolfo e Bertoldo Fey assumiram em 1966 a empresa que o pai havia acabado de comprar para a família e não pode dar continuidade porque sofreu um AVC.
Os dois irmãos lideraram a empresa por mais de cinco décadas e se afastaram no início de 2020 como prevenção à Covid-19.
A segunda geração é integrada pelos dois filhos de Adolfo e os dois de Bertoldo: Fernando Fey, Luciano Fey, Claudia Fey Tognotti e Ricardo Fey. No processo da governança familiar, Fernando assumiu a vice-presidência de Administração e Finanças e Ricardo, a de Operações. Claudia lidera o conselho de família da Metalúrgica.
A terceira geração tem nove integrantes. Claudia Fey diz que não está definido ainda se a empresa terá gestão profissional ou seguirá a familiar. Mas todos estão sendo preparados para serem acionistas, diz a empresária.
Além da Metalúrgica, o Grupo Fey tem a Vale do Selke, empresa da área de mineração, e tem a Ejot Fey, uma joint-venture com a multinacional alemã EJOT, fabricante de parafusos de alta tecnologia com patentes em diversos setores. A Metalúrgica Fey também representa o Brasil na Global Fastener Alliance (GFA), uma plataforma de troca de experiências no setor no mundo, com ênfase em engenharia e tecnologia.
*Com informações da revista Indústria & Competitividade, editada pela Fiesc.




