A colheita da Palora, uma variedade de pitaya produzida durante o inverno, começou nesta terça-feira (25) em São João do Sul, no Sul de Santa Catarina. Em uma propriedade com cerca de cinco hectares plantados, a expectativa é colher aproximadamente 50 toneladas da fruta nesta safra.
Ainda pouco conhecida no Estado e cultivada por poucos produtores, a Palora tem origem no Equador, e nome faz referência a cidade onde a variedade é comum. No Sul catarinense, o cultivo começou a ganhar espaço como alternativa para ampliar o período de produção da pitaya.
Na propriedade do produtor Tiago Nascimento, o plantio da variedade começou em 2018. Diferentemente das pitayas tradicionais de verão, porém, a Palora demora mais para atingir a fase adulta e apresentar uma produção significativa.
“A gente implantou essa variedade em 2018, mas ela leva um pouco mais de tempo para ficar adulta em relação às pitayas comuns de verão. Ela fica adulta a partir do quarto ou quinto ano”, explicou o produtor.
A partir desse período, a propriedade começou a colher cerca de cinco toneladas por hectare. Segundo Tiago, a quantidade aumentou gradualmente nos anos seguintes até chegar à previsão de aproximadamente 50 toneladas nesta safra.
Pitaiya de inverno amplia período de produção
Além do volume esperado, a Palora permite que os produtores tenham fruta disponível em uma época diferente daquela das variedades mais tradicionais.
A pitaya de verão é produzida principalmente entre dezembro e maio. Com a variedade de inverno, o período de trabalho e comercialização pode se estender por praticamente todo o ano.
“A pitaya de verão, como ela produz de dezembro a maio, a renda e o trabalho ficavam muito concentrados nesse período. Graças à Palora, a gente consegue ter trabalho e renda praticamente o ano inteiro”, afirmou Tiago.
Combinando as duas variedades, a propriedade consegue colher pitaya entre dezembro e outubro. Novembro é o único mês em que não há fruta disponível.
A produção durante um período maior também ajuda na relação com compradores, já que permite manter uma oferta mais constante ao longo do ano.
Palora pode ter quase o dobro da doçura
Outra característica que diferencia a Palora está no sabor. A variedade leva entre 100 e 120 dias desde a abertura da flor até a maturação do fruto. Durante esse período, acumula uma quantidade maior de açúcar.
Uma medição feita com refratômetro, equipamento utilizado para determinar a concentração de açúcares, apontou 23,4 graus Brix em uma das frutas da propriedade. Nas pitayas tradicionais de verão, o índice costuma ficar entre 13 e 14.
Segundo o especialista em pitayas Ricardo Martins, o período maior de desenvolvimento ajuda a explicar a diferença.
“Durante todo esse período, ela acumula muito açúcar no fruto e, por isso, consegue ter um grau Brix bem alto, quase o dobro das pitayas de verão”, explicou ao Bom Dia Santa Catarina.
Apesar da concentração elevada de açúcar, ele destaca que o sabor também apresenta equilíbrio entre doçura e acidez.
Além do sabor mais doce, a pitaya amarela é associada a diferentes benefícios nutricionais. A fruta contém fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, nutrientes que contribuem para o funcionamento do sistema digestivo e imunológico e para a saúde cardiovascular e dos ossos.
O consumo de frutas como a pitaya também pode fazer parte de uma alimentação equilibrada voltada ao controle do peso e à prevenção de doenças crônicas. Esses benefícios, no entanto, estão relacionados ao conjunto da alimentação e dos hábitos de vida, e não ao consumo isolado da fruta.
Produção de SC vai principalmente para São Paulo
Atualmente, grande parte da Palora produzida na propriedade de São João do Sul é comercializada em São Paulo, principal mercado comprador da fruta cultivada no Extremo Sul catarinense.
O próximo passo pode ser atravessar as fronteiras brasileiras. Negociações para a exportação da Palora já estão em andamento, o que pode abrir um novo mercado para a produção catarinense.
*Com informações da NSC TV.
