A Casas Bahia terá que garantir o restabelecimento do pagamento de salário e benefícios aos mais de 1,9 mil funcionários demitidos após o fechamento de quase 300 lojas neste ano. Isso porque a Justiça do Trabalho manteve a suspensão das demissões e determinou que eles sejam reintegrados ao quadro de trabalhadores da empresa.
A Casas Bahia já havia entrado com um recurso para tentar derrubar a decisão, mas a Justiça não analisou o mérito do pedido porque a companhia não apresentou documentos obrigatórios, de acordo com informações do g1. A juíza Sandra Nara Bernardo Silva, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, afirmou que os documentos precisavam ter sido apresentados logo no início da ação, sem a possibilidade de concessão de um novo prazo.
Conforme o advogado Jorge Soares, ouvido pelo g1, os trabalhadores deverão continuar vinculados à empresa, o que significa que continuarão recebendo salário e demais pagamentos. No entanto, outras demissões podem acontecer futuramente, desde que haja negociação com o sindicato.
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Casas Bahia diz que demissões fazem parte de reestruturação
Em nota, a Casas Bahia disse que a decisão de demitir os funcionários faz parte de “um amplo processo de reestruturação, necessário para garantir a continuidade e a sustentabilidade do negócio, bem como a preservação dos empregos mantidos”.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio afirmou que vai monitorar as decisões judiciais e que quer cobrar os direitos da categoria.
“Não queremos impedir a recuperação ou a reorganização da empresa. O que defendemos é que uma reestruturação com impacto sobre tantos trabalhadores não seja feita sem diálogo. A empresa precisa sentar à mesa com as entidades sindicais e buscar uma solução negociada”, disse o diretor secretário-geral da CNTC, Lourival Figueiredo Melo.
Prejuízo de R$ 10 bilhões e demissão de funcionários
A Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, segundo informações do g1, com o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1.900 colaboradores em todo o Brasil. Em Santa Catarina, das 23 lojas, 18 foram fechadas. Funcionários relataram tristeza com a decisão.
Na semana passada, com o pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia citou a piora do cenário econômico e os juros elevados, com restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e redução do consumo.
“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, apontou o comunicado da empresa.




