Peça após peça, uma cadeira colorida começou a tomar forma ao lado da impressora 3D de Zac Waters. O adolescente, morador de Lehi, em Utah, tinha 13 anos e estava de férias escolares.
O equipamento não era um exercício. Zac havia assumido a tarefa de imprimir, testar, montar e personalizar uma cadeira de mobilidade destinada a uma menina de 1 ano e 9 meses. Ao terminar, havia dedicado cerca de 300 horas ao projeto.
Detalhes em rosa, verde e amarelo deram cor à estrutura. Apoios reguláveis, bandeja removível e espaço para equipamentos médicos permitiram adaptar o modelo às necessidades da criança.
Curiosidade que virou projeto
O interesse de Zac pela impressão 3D surgiu depois que ele assistiu a um vídeo sobre a tecnologia. Aos poucos, começou a procurar uma aplicação útil para o que aprendia.
Foi assim que encontrou a MakeGood, organização sem fins lucrativos que desenvolve dispositivos de assistência e disponibiliza arquivos para voluntários. A rede o conectou à família da menina.
O modelo utilizado foi o 3D Toddler Mobility Trainer, desenvolvido pela organização. Zac não começou o desenho técnico do zero: trabalhou com os arquivos existentes e assumiu a impressão, a adaptação, os testes e a montagem.
Trezentas horas de testes
Operar a impressora foi apenas uma parte do trabalho. Cada componente precisava sair nas medidas corretas e encaixar-se aos demais. Quando isso não acontecia, Zac corrigia o problema e repetia o processo.
Zac contou que a montagem estava entre suas etapas preferidas. Antes de considerar a estrutura pronta, ele reuniu as peças, verificou os movimentos e fez os ajustes necessários.
O adolescente calculou ter dedicado aproximadamente 300 horas ao projeto. O trabalho ocupou boa parte das férias, mas não teve custo para a família atendida.
Feita para acompanhar
Como a menina tinha apenas 21 meses, a cadeira precisava acompanhar seu crescimento. Os apoios para os pés e a cabeça podem ser regulados conforme o corpo muda.
As alças foram impressas com material macio e flexível. Na traseira, há espaço para equipamentos médicos mais pesados, enquanto o porta-copos e a bandeja podem ser removidos.
A personalização também levou em conta as cores escolhidas para a nova usuária. O rosa, apontado como seu preferido, aparece com destaque, acompanhado por peças verdes e amarelas.
Tecnologia com aplicação prática
Em entrevista à ABC4 Utah, repercutida pela revista People, Zac afirmou que o projeto reuniu duas atividades das quais gosta: impressão 3D e ajuda a outras pessoas. Para ele, a combinação “simplesmente faz sentido”.
A MakeGood informa que o modelo atende crianças de 1 a 8 anos e pode ser produzido por voluntários com arquivos gratuitos. A proposta é facilitar o acesso a equipamentos de mobilidade infantil.
Projetos semelhantes também existem no Brasil. Em Santos, universitários criaram cadeiras de rodas infantis com materiais reciclados e adaptadas às crianças atendidas.
Família acompanhou o trabalho
Durante a montagem, Zac discutia ideias com os familiares e pedia opiniões. O adolescente comparou esse apoio às guias laterais de uma pista de boliche, que mantêm a bola no caminho.
Charlotte Waters, avó do menino, acompanhou a dedicação do neto. Para ela, a experiência mostrou que a idade não determina a capacidade de melhorar a vida de outra pessoa.
Próximos passos
Zac ainda não escolheu uma profissão, mas pretende seguir em uma área ligada à tecnologia. Também quer aperfeiçoar o uso da impressora 3D e participar de outros projetos de assistência.
A reação da família ajudou a explicar a longa dedicação. Zac disse ter ficado feliz com os sorrisos provocados pela entrega e voltou às aulas disposto a imprimir outros dispositivos de assistência.







