Menino de 13 anos cultiva planta em casa para fazer terços e doar a crianças em hospital de SC

Samuel Hoffmann, morador de Brusque, usa sementes de uma planta chamada Lágrimas de Nossa Senhora para fazer os terços.

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(Foto: Thiago Habeck, Reprodução NSC TV)

Há pelo menos cinco anos, Samuel Hoffmann, de 13 anos, reserva um dia da semana para fazer algo que parece simples, mas que, para quem está no hospital, pode significar muito: visitar crianças internadas. Morador de Brusque, no Vale do Itajaí, ele chega levando música, oração, conversa e carinho.

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E, há algum tempo, passou a levar também um presente feito pelas próprias mãos. No quintal de casa, Samuel cultiva as chamadas Lágrimas de Nossa Senhora. A planta leva cerca de seis meses para produzir as pequenas sementes duras em formato de gotas que, depois de colhidas, viram terços.

É o próprio adolescente quem monta cada um deles. Todas as tardes, depois da escola, do almoço e das tarefas, ele vai para o cantinho que montou em casa e produz de três a quatro terços por dia.

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“Eu me sinto muito feliz toda vez que eu vejo que, mesmo a pessoa ou a criança passando por uma situação ruim, pode ficar feliz ainda recebendo um presente que eu estou dando, né? Que é o terço”, conta à repórter Patricia Hadlich, da NSC TV Blumenau.

“Ele tem uma missão”, acredita a mãe

A ideia nasceu do próprio menino e ganhou o incentivo da família. No caminho, ele aprendeu um pouco com cada pessoa. Foi a avó quem ensinou Samuel a rezar, uma prima mostrou como fazer os terços e um tio entregou a ele as primeiras sementes das Lágrimas de Nossa Senhora.

A mãe, Maristela Gullini Hoffmann, diz que se emociona ao ver o filho dedicar tempo a outras crianças.

“Eu me sinto feliz porque é um trabalho que vem dele, algo que ele quis fazer, então é algo do coração dele”, afirma.

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Para ela, o gesto ganha ainda mais força quando Samuel chega ao hospital. Uma criança que está vivendo um momento de dor e tristeza encontra outra criança entrando pela porta, cantando, fazendo uma oração e, no fim, entregando um pequeno presente.

“É algo que é uma compaixão que ele tem com o próximo e leva aquela alegria. E ele vem muito feliz também, porque vê que aquilo que está fazendo, essa pequena doação do tempo dele, acaba fazendo muita diferença”, diz Maristela.

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A fé também ocupa um espaço especial na vida do adolescente. Samuel chegou a transformar a pequena casinha onde brincava quando criança em uma mini capela. E uma carta escrita por ele chegou até o papa Leão XIV. Para a mãe, tudo isso tem um significado maior.

“Eu sinto que ele tem uma missão, sabe? Eu sinto que Deus confiou a ele essa missão”, fala.

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Mas talvez a maior mensagem de Samuel não esteja nos terços, nas sementes ou sequer na religião. Está no tempo que ele escolheu oferecer a outras pessoas. Aos 8 anos, ele quis ser voluntário em um hospital. Aos 13, continua fazendo isso — agora levando consigo algo que cultivou, colheu e produziu com as próprias mãos.

E ele espera que esse gesto também inspire outras pessoas.

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“Eu sempre penso que o meu trabalho pode incentivar outras pessoas a doar um pouco do seu tempo ao próximo. Por menor que seja o seu trabalho, a sua doação, faz muito bem”, ensina Samuel.

No fim, são pequenas contas de uma planta, alguns fios e um pouco de tempo. Mas, nas mãos de Samuel, tudo isso vira um presente capaz de levar um pouco de alegria justamente para quem mais precisa.