Antônio Pereira do Nascimento recebeu uma transferência por engano de mais R$ 131 milhões de um banco em 2023. Na época, o motorista de Tocantins devolveu o dinheiro no mesmo dia. Agora, três anos depois, ele espera uma decisão do Tribunal de Justiça após solicitar R$ 13 milhões de recompensa, além de R$ 150 mil por danos morais, devido ao recebimento do dinheiro.
Segundo o motorista, ele teria sofrido prejuízos após devolver o dinheiro ao dono, como a cobrança de tarifas e encargos na conta bancária, que foi colocada em uma categoria VIP. Ele também alega ter sofrido “pressão psicológica” do gerente do banco.
Por conta disso, em 2024, Antônio entrou com uma ação na Justiça para cobrar 10% do valor recebido, que foi de R$ 131.870.227,00. Ainda não há data definida para o julgamento do caso, segundo o g1.
Justiça negou testemunhas
Em março de 2026, a 6ª Vara Cível de Palmas dispensou as testemunhas do processo por considerar que já havia provas suficientes. A defesa de Antônio apresentou embargos de declaração para pedir esclarecimentos sobre a decisão judicial, mas o pedido não chegou a ser analisado pelo juiz.
No pedido, que buscava reverter a decisão, os advogados pediam pela manutenção das testemunhas no processo. De acordo com a defesa, elas seriam indispensáveis para esclarecer as circunstâncias do caso
Entretanto, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) não aceitou o recurso e manteve o processo sem testemunhas. Segundo a relatora Maria Celma Louzeiro Tiago, a decisão de dispensar as testemunhas não está entre as situações previstas para o agravo de instrumento.
A magistrada também afirmou que “não foi comprovado que havia risco de perda do direito ou que seria impossível colher os depoimentos em outro momento”, segundo o g1.
Além disso, explicou que, se a sentença de primeira instância for desfavorável e o Tribunal entender que os depoimentos eram importantes para o caso, a decisão poderá ser analisada posteriormente por meio de recurso de apelação.
Milionário por um dia
Antônio recebeu a quantia em junho de 2023, quando abriu o aplicativo do banco e encontrou um saldo de R$ 131.870.227,00. O dinheiro foi depositado por engano pelo Banco Bradesco e permaneceu na conta dele por apenas sete horas. Assim que percebeu o erro, o motorista procurou a instituição financeira e devolveu toda a quantia.
Passados três anos do caso, ele, que é pai de quatro filhos e avô de 14 netos, afirma que continua levando uma vida simples e trabalhando como motorista para sobreviver. “Estou do mesmo jeito, trabalhando para comer. Eu devolvi o dinheiro e não vi dinheiro nenhum lá”, desabafou.
O g1 entrou em contato com os advogados de Antônio, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto. Já o Banco Bradesco informou que não vai comentar a decisão da Justiça.
