Argentino ficou preso pela pandemia rumo ao ‘fim do mundo’, encontrou o amor e fez da estrada seu lar

Totti ficou sete meses parado em Santa Cruz, conheceu Ana e retomou a viagem em uma Kombi 1984; hoje a família vive sem destino fixo

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Viagem interrompida pela Covid-19 virou uma história de amor única (Foto: Reprodução / Instagram / @kombisinrumbo)

Viagem interrompida pela Covid-19 virou uma história de amor única (Foto: Reprodução / Instagram / @kombisinrumbo)

Em março de 2020, Sergio “Totti” Huczek descia a Argentina em uma Kombi amarela de 1984, tentando chegar a Ushuaia, o ponto habitado mais ao sul da América, quando a pandemia interrompeu a viagem em Santa Cruz.

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O homem ficou meses parado, mas mal sabia que sua viagem estava prestes a mudar de direção. Em Caleta Olívia, ele conheceu Ana Fontana. Assim como ele, ela nutria o desejo de pegar a estrada e estava se preparando para isso, e a pandemia foi o pit stop inevitável que uniu esses dois viajantes.

Nós nos apaixonamos. Eu a convidei para se juntar à viagem, ela não hesitou e, em muito pouco tempo, tudo isso surgiu.

contou ele à CNN Español

Antes de Ana

Totti havia estudado para ser piloto de avião, mas se incomodava com uma vida em que conhecer novos lugares dependia de férias e autorizações. Comprou uma Volkswagen Kombi 1984 e passou meses limpando, consertando e adaptando o veículo.

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A cor amarela foi escolhida como referência ao Piper PA-11, pequeno avião ligado à sua formação. A Kombi ganhou o nome Mingo e se tornou sua nova casa e ferramenta para uma vida de liberdade.

Quando a pandemia o alcançou, Totti já levava cerca de dois anos e meio nesse projeto. A ironia é que o homem que havia reorganizado a vida para continuar se movendo precisou ficar parado para encontrar alguém que queria exatamente a mesma coisa.

A primeira partida

Em outubro de 2020, quando o isolamento social se flexibilizou, Ana e Totti começaram a primeira grande viagem juntos. Saíram de Santa Cruz em direção a San Clemente, na província de Buenos Aires. 

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O caminho trouxe ventos superiores a 100 km/h. A dupla carregava uma declaração para justificar o deslocamento e precisou apresentá-la nos controles. Depois de meses confinados, a estreia do casal na estrada ocorreu quando viajar ainda era uma exceção.

Um mês depois, retomaram a proposta que daria nome ao veículo Kombi Sin Rumbo: seguir sem roteiro rígido. Totti explicou à CNN Español que havia aprendido a evitar planos muito fechados, porque um destino poderia mudar de um dia para o outro.

Casa sobre rodas

A liberdade tinha seu preço. Combustível, comida e manutenção eram pagos com artesanato. Em cada cidade ou feira, os dois montavam uma pequena banca e vendiam pulseiras, colares, quadros de madeira, porta-chaves e outros objetos feitos por eles.

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Pouco depois veio Aventurina, uma cadela cinza que entrou para a viagem. A Kombi passou a atravessar a Patagônia, Ushuaia e a costa de Buenos Aires e, mais tarde, chegou ao Chile com três ocupantes e nenhum compromisso de chegar rápido.

Para Ana, cada parada também era parte da viagem. Ela contou à CNN que gostava do contato com moradores e outros viajantes. A proposta era permanecer e conviver, em vez de transformar cidades e paisagens em pontos riscados rapidamente de uma lista.

Aurora muda a rota

Em 2022, outra notícia redesenhou o caminho: Ana estava grávida. Eles interromperam as viagens longas e voltaram para casa. A filha recebeu um nome que parecia pertencer àquela história antes mesmo de nascer: Aurora.

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Nos primeiros meses, a família trocou travessias prolongadas por deslocamentos curtos. Aos poucos, os percursos maiores voltaram, agora com uma criança a bordo. A estrada passou a ser também uma maneira de apresentar à filha lugares, culturas e pessoas diferentes.

Mingo, porém, já ficava pequena para a família. No fim de 2024, eles venderam a Kombi amarela e compraram um ônibus Mercedes-Benz chamado Vitto. Mudou o tamanho da casa, mas não seu propósito.

Em agosto de 2026, a história continuava crescendo: Ana e Totti aguardavam a chegada da segunda filha. O homem que saiu sozinho tentando alcançar o “fim do mundo” descobriu, depois de sete meses parado, que sua viagem mais longa começaria onde a estrada havia sido interrompida.