Quando Kira pulou na água, o cabo José Roberto Vesco precisou resolver dois problemas ao mesmo tempo: puxar a cadela de volta e impedir que o barco virasse. A travessia fazia parte de uma das provas do K9 Olympics, nos Estados Unidos.
Enquanto segurava a parceira, Vesco tentava controlar a embarcação, que começou a encher de água. Foram alguns segundos de tensão até o policial recuperar o equilíbrio e conseguir seguir pelo lago.
O susto, porém, não tirou a dupla da disputa. Representando o Canil do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), de Presidente Prudente, Kira e Vesco terminaram na primeira colocação da prova mais complexa do torneio. O resultado garantiu um título inédito para a unidade e para a Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Uma prova de sintonia
A etapa combinava obstáculos físicos com exercícios operacionais. Os cães precisavam demonstrar preparo em atividades de faro de narcóticos, busca e captura, obediência e ataque.
O percurso também incluía lançamento, busca por evidências, patrulha e detecção de substâncias. Cada erro custava tempo, e a dupla precisava manter a comunicação mesmo diante de situações inesperadas.
Depois que Kira caiu na água, Vesco conseguiu puxá-la de volta sem abandonar o percurso. O barco quase virou, mas o policial controlou a embarcação e recuperou o tempo perdido nas etapas seguintes.
A chegada trouxe outro momento marcante. Juízes e participantes se aproximaram para fotografar a dupla, sinal de que a apresentação havia chamado atenção. Pouco depois, Vesco e Kira receberam a confirmação da vitória.
Substâncias fora da rotina
O barco não foi o único desafio encontrado pela dupla em Indiana. Na prova de detecção de narcóticos, Kira precisou trabalhar com substâncias que não aparecem com frequência nos treinamentos realizados no Brasil.
Os cães foram avaliados com amostras de heroína, metanfetamina e cocaína. Vesco explicou que a cocaína faz parte da preparação cotidiana das equipes brasileiras, enquanto as outras duas substâncias são menos comuns por aqui.
A competição ocorreu nas instalações da Vohne Liche Kennels, em Denver, no estado de Indiana, entre os dias 16 e 21 de agosto. O evento reuniu equipes de diferentes forças de segurança e colocou os cães diante de cenários variados, horários diferentes e exercícios com detalhes revelados apenas no local.
Experiência para o canil
Além da medalha, a viagem permitiu que os policiais conhecessem métodos, equipamentos e técnicas usadas por equipes estrangeiras. O material aprendido deve ser compartilhado com os integrantes do Canil do 8º Baep.
Para o subtenente Joel Godoi de Bueno Júnior, comandante da unidade, a vitória confirmou a qualidade do trabalho realizado em Presidente Prudente. A competição também ajudou a mostrar quais equipamentos e recursos tecnológicos ainda podem melhorar a atuação dos cães nas operações.
Vesco fez questão de dividir o resultado com os colegas. Segundo ele, o desempenho de Kira não surgiu apenas durante a prova, mas resulta dos treinamentos diários e do trabalho dos policiais que cuidam dos animais, organizam os exercícios e acompanham a preparação da equipe.
Despedida pode ocorrer em novembro
Kira tem sete anos e ainda reúne condições para disputar novas competições. Vesco, no entanto, planeja encerrar a carreira competitiva da cadela ainda em 2026.
A despedida deve acontecer em novembro, durante um torneio de cães de trabalho em Goiânia. A cidade tem um significado especial para a dupla, já que recebeu a primeira competição disputada por Vesco e Kira.
Até lá, os dois ainda carregam o resultado conquistado nos Estados Unidos. Kira enfrentou obstáculos, trabalhou com substâncias incomuns e quase virou um barco no meio do percurso. Mesmo assim, voltou para a prova, recuperou o ritmo e terminou no primeiro lugar.






