Filme “Muito Prazer” transforma motel decadente em palco para comédia sobre amor, cinema e confusões

Estrelado por Luisa Arraes e Daniel de Oliveira, longa de Jorge Furtado chega aos cinemas e aposta em humor, romance e uma sucessão de situações cada vez mais absurdas

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Luisa Arraes e Daniel de Oliveira interpretam Grace e Rubem em “Muito Prazer”, novo filme dirigido por Jorge Furtado (Foto: Divulgação)

Um motel caindo aos pedaços, dois desconhecidos tentando colocar a vida nos trilhos e uma ideia que parecia boa até começar a dar muito, muito errado. É desse ponto de partida que o diretor Jorge Furtado constrói Muito Prazer, comédia romântica estrelada por Luisa Arraes e Daniel de Oliveira que chega aos cinemas nesta quinta-feira (27).

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No centro da história estão Grace e Rubem, personagens que se encontram por acaso no antigo Motel Pérola e acabam unidos por uma tentativa desesperada de recuperar o estabelecimento, e as próprias vidas.

No longa, Rubem “ganha” um motel antigo de herança do tio. No entanto, o local vem carregado de dívidas e aparentemente abandonado. O detalhe é que ele não está exatamente vazio. No local, vive Grace, uma ex-funcionária que permaneceu ali depois do fechamento.

Quando os dois decidem reabrir o Pérola, eles encontram uma solução pouco convencional para salvar os negócios: vender vídeos gravados nos quartos dos clientes.

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A partir daí, o que já parecia improvável vai ficando ainda mais complicado. O plano dá dinheiro, mas também coloca os personagens em uma enrascada que exige novas mentiras, novas gravações e uma dose generosa de criatividade para escapar da cadeia.

A trama mistura romance, humor e uma espécie de efeito dominó em que uma decisão leva inevitavelmente a outra ainda mais absurda.

Assista ao trailer de Muito Prazer

Entre o cinema mudo e a comédia que só piora

Para Luisa e Daniel, encontrar o tom de Grace e Rubem não passou necessariamente por construir uma lista enorme de referências. Antes das filmagens, Jorge Furtado indicou aos atores obras como Um Peixe Chamado Wanda e Living in Oblivion, filmes que ajudaram a apresentar o universo de humor e de cinema que o diretor queria explorar.

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“Essas referências acabam indo embora e a gente concentra no que a gente tem para fazer ali”, explicou Daniel. Para ele, o mais importante foi chegar ao Motel Pérola e entender a situação daqueles personagens: “É chegar num motel abandonado e descobrir que ele não tá tão abandonado assim, que tem a Grace morando lá”.

O processo também ganhou uma referência menos óbvia: o cinema mudo. Arraes conta que a linguagem sem diálogos foi uma das inspirações incorporadas ao filme, principalmente nas cenas em que os personagens precisam comunicar o que estão sentindo apenas com expressões e movimentos.

“Uma coisa, talvez, que faça parte da linguagem do filme um pouco é cinema mudo”, contou a atriz. “O Jorge tem essa coisa que ele fala que ele só põe em diálogo quando realmente é estritamente necessário.”

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É justamente nesse espaço entre o que os personagens dizem e o que suas caras entregam que parte do humor de Muito Prazer acontece. O filme frequentemente deixa a câmera observar as reações de cada um, em vez de correr para a próxima fala. Para Luisa, esse recurso ajudou a construir Grace também nos momentos em que ela está sozinha, longe das situações mais caóticas do motel.

Daniel, por sua vez, resume parte da experiência com uma imagem que parece saída do próprio filme: “Tinha uma cena lá que eu chegava para conferir alguma coisa no celular e a mala era uma rampa, né? E a mala anda. Então, só isso já dá um brilho assim para o filme”.

Quando a piada depende do outro

Se a comédia parece espontânea na tela, existe uma engenharia bastante precisa por trás dela. Jorge conta que costuma decupar o filme praticamente plano por plano, algo que exige dos atores uma atenção especial às reações e ao tempo de cada cena.

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“Tem uma coisa de manter o tom da piada, o tom emocional da cena de um lado e de outro”, explicou o diretor. A questão não é apenas saber a própria fala, mas entender exatamente o que o outro personagem está fazendo para que, depois, as duas imagens possam se encontrar na montagem.

É aí que entra a chamada contra-cena. Enquanto um ator grava sua fala, o outro precisa continuar reagindo, e reagindo de verdade. Não vale simplesmente esperar a câmera terminar.

“Tá na gente, né? Tá fechado na gente, tal, a gente se dedica, né? Mas tá no outro também”, resumiu Daniel.

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A construção é especialmente importante em Muito Prazer porque boa parte da graça está justamente nas reações. O público não acompanha apenas o diálogo entre Grace e Rubem: acompanha o olhar, a hesitação, o susto e a tentativa de entender o que acabou de acontecer. É uma escolha que transforma momentos aparentemente simples em pequenas sequências de comédia.

E, embora o filme seja cuidadosamente planejado, isso não significa que tudo tenha permanecido exatamente como estava no papel.

Um “eu te amo” que nasceu no caminho

O diretor Jorge Furtado admite que os atores improvisaram mais do que eles próprios gostam de admitir. Luisa e Daniel brincam que, diante de um texto tão bem construído, a preocupação era não estragar o que já funcionava.

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“Quando tem um texto muito bom, a gente tenta não estragar. Essa é a nossa maior preocupação do dia um ao último dia: como não estrago”, brincou Luisa.

Mas algumas das mudanças acabaram ficando. E uma delas está justamente em um dos momentos mais delicados da relação entre Grace e Rubem.

Segundo Jorge, uma parte do diálogo final foi criada durante as filmagens. O diretor conta que Luisa chegou a sugerir que aquela cena precisava melhorar e, depois, escreveu o trecho. O resultado foi uma troca que não estava originalmente prevista daquela maneira: “Porque eu te amo” seguido de “Eu também acho”.

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“Foi uma cena feita no banho”, brincou a atriz, arrancando risadas durante a entrevista.

Para Furtado, esse tipo de contribuição faz parte do próprio processo de construção do filme. A história já chega estruturada, mas os atores também deixam marcas no resultado final. E, em Muito Prazer, essa abertura ajuda a explicar justamente a sensação de espontaneidade que atravessa a comédia.

O filme nasceu de uma ideia que combina uma história de amor com o universo dos algoritmos, da tecnologia e da dificuldade de distinguir o que é real do que é fabricado. A própria produção definiu o longa como uma “comédia romântica sobre os algoritmos do prazer”, enquanto Furtado relacionou a trama à discussão sobre imagens, verdade e inteligência artificial.

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No fim, porém, o diretor parece interessado em algo mais simples: fazer o público rir acompanhando pessoas que, assim como acontece na vida, começam tentando resolver um problema e acabam criando outros cinco.

E talvez seja essa a maior graça de Muito Prazer. Quando Grace e Rubem entram naquela história, ninguém sabe exatamente onde ela vai parar. Nem eles. Nem, aparentemente, os próprios atores, que ainda encontraram espaço para inventar algumas surpresas pelo caminho.

Muito Prazer é dirigido e roteirizado por Jorge Furtado, tem Luisa Arraes, Daniel de Oliveira e Samantha Jones no elenco e chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (27), com classificação indicativa de 14 anos.