Nas eleições deste ano, 69 candidatas concorrem a uma vaga para o Senado. O número é o maior registrado desde 2018, quando haviam 62 interessadas para 54 vagas abertas, segundo informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número de mulheres ainda é baixo na comparação com os homens, representando 22% das candidaturas à Câmara Alta, de acordo com informações divulgadas pelo Senado. Para Isabela Martins, advogada e pesquisadora que analisou o impacto da violência política de gênero no Senado em sua tese de doutorado, esse percentual era esperado.
“O Senado, tradicionalmente, possui um desenho institucional mais conservador, exigindo uma idade maior, mais avançada para a candidatura. Portanto, existe um estigma de conservadorismo que vigora no Senado, se comparado à Câmara dos Deputados. O que pode ser um peso de habitus para se formar uma barreira à inclusão de grupos que não são dominantes, como, por exemplo, o público feminino” afirma.
Todos os estados têm uma candidata
Ainda segundo o Senado, todos os estados do país têm pelo menos uma candidata à senadora. Em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Norte, o número aumenta para cinco candidatas.
A advogada acredita que o número é resultado das diferentes tradições políticas dos estados, mas ela também vê sinais de mudanças no ar.
“É possível dizer que esse desafio, essa fissura no status quo, ela vem acontecendo também ano a ano. Então a gente vê mais predisposição e mais circulação, principalmente da figura feminina e da palavra feminina.” diz.
Participação feminina entre candidatos ultrapassa 30%
De acordo com o levantamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o dia 24 de agosto, 7.227 brasileiras são candidatas nas eleições de 2026, representando um total de 34,88% das candidaturas.
Atualmente, a Bancada Feminina do Senado tem 15 senadoras. Cinco das atuais senadoras são candidatas em outubro. Para Isabela, a aplicação da lei que combate a violência política de gênero, sancionada em 2021, está entre os principais desafios da próxima bancada.
“Coibindo, por exemplo, interrupções sistemáticas, desqualificações pessoais, agressões em redes sociais dirigidas a congressistas. É necessário traçar uma diferença entre a liberdade de expressão e o direito constitucional à expressão e falas que configuram-se com uma violência política de gênero” diz.
Em cinco anos de atuação conjunta, as parlamentares passaram a ter voz no Colégio de Líderes e assento em espaços de direção, como a Mesa Diretora, além de comandar comissões disputadas.
Mulheres ocupam só 30% dos cargos de direção partidária em SC
As mulheres presidem apenas cinco dos 28 partidos com diretório estadual ativo em Santa Catarina e ocupam, em média, somente 30% dos cargos de direção partidária nessas legendas. O levantamento foi feito pela reportagem do NSC Total com base nos nomes dos comandos estaduais informados pelas legendas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre os 10 partidos com mais filiados de SC, nenhum deles atinge a chamada paridade de cargos, com divisão igual entre homens e mulheres nas nominatas estaduais. Atualmente, só cinco dos 28 partidos têm mulheres nos cargos de presidente em SC informados à Justiça Eleitoral. São eles: Podemos, Republicanos, PSOL, Avante e UP.
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Quando considerada toda a direção dos partidos, incluindo também cargos como tesoureiros, secretários e presidentes de alas específicas, dos 548 membros ativos informados pelas legendas, 164 eram mulheres e 384, homens. O número resulta na média de apenas de 30% de presença feminina nesses espaços decisórios das siglas.
Os partidos com maior participação feminina
Participação de mulheres nas direções estaduais dos partidos de SC
- Psol — 58,1% (18 de 31 dirigentes)
- PSTU — 50% (2 de 4)
- PCdoB — 48,3% (14 de 29)
- PT — 48,2% (40 de 83)
- PL — 44,4% (4 de 9)
- UP — 44,4% (4 de 9)
- Podemos — 42,9% (6 de 14)
- PDT — 40% (6 de 15)
- Rede — 37,5% (3 de 8)
- PSDB — 31,3% (5 de 16)
* Em média, mulheres ocupam 29,9% dos cargos de direção nos partidos catarinenses.
Fonte: Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SGIP), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Partidos com presidente mulher em SC
- Podemos — Ana Paula da Silva (Paulinha), deputada estadual
- Republicanos — Carmen Zanotto, prefeita de Lages
- Psol — Alcilea Medeiros Cardoso
- Avante — Terezinha Ricardo do Nascimento
- UP — Júlia Andrade Ew









