Por volta das 21h chegaram as primeiras mulheres. De vestido longo e salto alto, elas tinham um objetivo: impressionar os homens que poderiam se tornar seus sugar daddies e mudar completamente suas vidas. A festa voltada para o universo sugar foi realizada em Balneário Camboriú, na noite de quinta-feira (27), e se estendeu até a madrugada de sexta (28). O NSC Total esteve no local com exclusividade para conferir.
O evento compartilhava rituais quase que acertados entre os convidados. As mulheres se deparavam na chegada com um espelho de quase dois metros. O olhar era automático para retocar a maquiagem e conferir o look. Depois, podiam escolher usar alguma das máscaras venezianas e, em seguida, tomar um shot de tequila ou uma taça de champanhe. O brinde para dar início a noite.
O ambiente era cercado por flores vermelhas, velas e, em um primeiro momento, luzes acesas. Aos poucos, sugar daddies e babies foram perdendo a timidez e começaram as interações.
O evento reuniu 100 pessoas e, segundo a plataforma MeuPatrocínio, responsável pela festa, a proporção era de um homem para cada quatro mulheres. Na prática, isso gerou uma disputa por atenção e dificilmente um sugar daddy estava com apenas uma sugar baby.
Espaço VIP e “rei do camarote”
Em alguns momentos, era possível notar uma movimentação conjunta: um grupo de três a cinco mulheres se aproximava de um sugar e começavam as interações. Eram as mulheres que puxavam o assunto, mas os homens costumavam falar mais.
Os daddies mais procurados foram os que estavam em camarotes. A estrutura especial era cercada por sofás e destinada aos convidados que adquiriram as experiências mais caras.
Além das comodidades exclusivas, o espaço oferecia acesso a uma seleção especial de bebidas, incluindo Johnnie Walker Black Label 12 anos, Luigi Bosca Cabernet Sauvignon, Casal Garcia e champagne Veuve Clicquot Brut, além de concierge dedicado. Os pacotes exclusivos custavam R$ 19.999, limitados a três participantes.
Um dos participantes VIP, empresário do Rio de Janeiro, chamou atenção durante toda festa. De calça social, blazer e camisa do Homer Simpson, ele atraiu grande quantidade de sugar babies para o seu camarote.
À reportagem, ao ser perguntado sobre as regalias do ingresso exclusivo, ele respondeu: “Ah, nem sei quanto paguei. Só peguei e vim”.
Sobre as experiências na plataforma, ele relatou que já viveu casos bem diferentes. Em algumas situações, a sugar baby não pediu nada, mas, mesmo assim, mantiveram o contato de amizade. Em outras, as trocas já envolveram “mimos”.
A pessoa que eu saio mais constantemente, às vezes fala: ‘po, eu tô querendo fazer um procedimento cirúrgico’. E eu falo: ‘ah, quanto é que é? Eu dou o dinheiro, vai lá e faz’. Mas não é uma coisa ligada a outra, ela fez esse procedimento e fiquei meses sem ver ela.
Entre os daddies, a festa sugar também teve presenças internacionais, com empresários da Suíça e Índia. O suíço, de terno preto e branco, logo conseguiu uma sugar baby que virou quase sua intérprete.
“Olha, se tem 300 mulheres ao redor dele, é sinal que vale a pena”, disse ela ao descrevê-lo para um grupo de meninas na fila do bar.
Os dois conversavam em inglês e a mulher relatava o que era dito por ele para outras pretendentes.
Open bar e petiscos
A festa também contou com bebidas personalizadas, fazendo jus ao evento: o drink sugar daddy era mais forte, com vodka, licor, limão e um cordial de abacaxi com cupuaçu. Já o sugar baby era mais doce, com cordial de uvas negras, manjericão e limão. Havia também opções mais clássicas, como fitzgerald, moscow mule, negroni e whisky sour.
Para além do open bar, os convidados recebiam rodadas de petiscos, que eram distribuídos por todo o salão pelos garçons. O cardápio ia de croissant de rosbife à batata com polvo, mas não atraia tanta atenção de quem estava no local, que aproveitavam a festa de outras formas.
O que buscam as sugar babies
“Às vezes são coisas bobas, mas que você não encontra em moleques.” Para Graziane, contadora, influencer e participante da plataforma há quatro anos, esse é um dos motivos das relações sugar. Pelo segundo ano consecutivo, ela foi ao evento em busca da maturidade apresentada pelos homens.
Não estou falando de idade, mas de maturidade emocional. Desde me levar no shopping e me dar uma bolsa de R$ 15 mil, um tênis de R$ 8 mil, até ser um cavalheiro, que vai te apoiar, cuidar de você. É a forma que a pessoa faz você se sentir.
Para as garotas, os primeiros ingressos da festa custavam pouco menos de R$ 400, com preço subindo em novos lotes. Um investimento que pode retornar em um carro novo e ajuda para abrir a própria empresa, segundo Tábata, de 33 anos.
A vida que tenho hoje é graças a plataforma. Tenho minha empresa com ajuda de um daddy. Um deles me deu um carro, HB20, há dois meses. É muito mais facil que na vida real. O aplicativo é para isso. O homem que vai te procurar ele quer te mimar, com presentinho, às vezes financeiro.
Ela manteve um relacionamento sugar com um empresário brasileiro por muitos anos, mas perderam contato após ele se mudar para a China. Durante a relação, ela estabeleceu sua empresa com caminhonetes e veículos de frete.
Grande parte das sugar babies que buscavam o homem certo foi convidada pela plataforma. A idade média das presentes era de 28 anos e, para os homens, de 38. Segundo a organização do evento, 65% dos participantes eram catarinenses, mas estiveram presentes pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo.
Nem tudo são flores vermelhas e champanhe
Houve também quem apresentou insatisfação com a festa. Depois das 2h da manhã, duas sugar babies demonstraram frustração com o evento e o desrespeito de alguns participantes com as regras.
“Foi combinado um dress code para as meninas, que era o vestido longo, mas muitas vieram diferente e não foram barradas”, disse Monique, ao apontar para duas sugar babies que usavam top e saia.
Já Alissa discordou da seleção de músicas: “Achei que não combinou. Funk não seria o tipo de música para esse evento”. De certa forma, a música não atraiu o público para a pista de dança, que permaneceu vazia durante grande parte da festa. O fervo estava nos camarotes.
Para um sugar daddy, a frustração foi sair sozinho. Depois de poucas conversas com as garotas, por volta das 2h30min, ele já andava em círculos perto da saída da festa e, sozinho, deixou o local cabisbaixo.









