O setor de tecnologia e inovação registra disputa acirrada entre os dois atuais gigantes globais, os Estados Unidos e a China. No Startup Summit, esse foi o foco da palestra “A Corrida da Inovação: O que os EUA e a China estão fazendo certo — e o que o Brasil pode aprender”, com o professor da Universidade de Stanford, Estados Unidos, Bret Walters; e o professor Yuanyuan Li, da Universidade de Tsinghua, em Pequim, China, mediada pelo empresário de Florianópolis Leandro Piazza, da empresa 49 Educação.
Uma das perguntas do mediador aos dois palestrantes foi o que ensinar para um filho de 10 anos, para prepará-lo para a vida, diante de tantos avanços de inteligência artificial e tecnologias. O professor Bret Walters, disse ter filhos mais velhos e netos, mas recomendou ensinar a fazer o que a IA não faz.
“Eu diria: pensem em todas as coisas que a IA não consegue fazer e foquem nessas habilidades. São habilidades de pensamento criativo, de ser capaz de separar sinais de ruído e como questionar a IA. Eu chamo isso de ceticismo em relação à IA. Acho que as crianças de hoje em dia fazem uma pergunta ao GPT e simplesmente recebem a resposta e assumem que está certa. Mas acho que ensinar nossos filhos a serem céticos em relação à resposta que um computador lhes dá é uma habilidade importante para a vida toda”, disse Bret Walters.
O professor Yuanyuan Li afirmou que é muito questionado sobre a inteligência artificial e o mundo real. Por isso, acredita que para as crianças de hoje, com 10 anos, um caminho pode ser soluções nessa área.
“Acredito que meu filho deverá entender o mundo real, conhecer o mundo real e ver como poder conectar a IA ao mundo real. Isso seria o que os seres humanos realmente valorizariam para coexistir com a IA”, afirmou.
Outra pergunta aos dois palestrantes foi sobre em que áreas investiriam para fundar algo no setor de tecnologia que pudesse se transformar em um unicórnio, isto é, uma empresa com serviço de interesse mundial, que chegaria ao valor de US$ 1 bilhão.
O professsor Yuanyuan Li afirmou que se tivesse oportunidade de fundar uma grande startup, se concentraria em dois setores. Um deles seria o de energia e outro, de saúde.
“A IA está usando muita energia e o desafio é tornar isso mais sustentável. As empresas de energia estão buscando crescimento sustentável e alta eficiência. Isso é uma coisa que me deixa feliz. Outra coisa é que eu gostaria muito de analisar empresas de biomedicina, especialmente antienvelhecimento. Esse tipo projeto me interessa porque a tecnologia está muito acelerada e quero viver mais para ver o que acontece. Será muito emocionante”, disse Yuanyuan Li.
O professor Bret Waters disse que fundaria diversas startups com seus familiares. E como gosta muito de pão de queijo, disse que a ideia dele mais importante seria criar uma startup de pão de queijo nos Estados Unidos porque não existe nada parecido por lá (risos).
A mensagem final dos dois professores foi desafiadora mas de confiança. Eles afirmaram que a nova grande invenção da tecnologia pode vir de um país como o Brasil. Isso porque os empreendedores brasilerios são tão talentosos como os dos EUA e China.
