O assento em U do banheiro público nasceu de uma norma americana e no Brasil é proibido justamente onde mais gente acha que ajuda

Desde 2015, a norma brasileira proíbe o assento com abertura frontal em sanitário acessível; entenda de onde veio o formato em U

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assento sanitário com abertura frontal

Entenda por que o formato em U virou padrão nos banheiros públicos, o que dizem os códigos que o criaram e por que a norma brasileira veta o modelo na cabine acessível

Em shopping, aeroporto, hospital ou rodoviária, o assento do vaso quase nunca é aquele oval fechado que existe em casa. Ele tem um recorte na frente, em forma de U.

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A explicação que circula na internet brasileira costuma listar três motivos: higiene, facilidade de limpeza e acessibilidade. Os dois primeiros se sustentam. O terceiro é o contrário do que manda a norma brasileira.

De onde veio o assento com abertura frontal

O formato não nasceu de estudo sanitário brasileiro. Ele vem dos Estados Unidos, onde códigos de encanamento e de saúde pública passaram a exigir o modelo em banheiros comerciais e institucionais ao longo do século 20.

O Uniform Plumbing Code, mantido pela International Association of Plumbing and Mechanical Officials, determina que assentos de uso público sejam do tipo alongado e de frente aberta, ou que o local ofereça dispensador automático de capa protetora. É uma exigência de código, não uma escolha de fabricante.

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O que a abertura resolve de fato

Dirigentes da própria entidade que mantém o código explicam a lógica em dois pontos.

O primeiro é eliminar a faixa frontal do assento, que é justamente onde respingos de urina tendem a se acumular. Menos superfície, menos área contaminada.

O segundo é permitir a higienização íntima com papel sem encostar na parte da frente, o que na prática beneficia sobretudo as mulheres.

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Há ainda um ganho operacional que pesa em local de fluxo alto: a abertura facilita o acesso da equipe de limpeza a toda a superfície do vaso e reduz o acúmulo de resíduo na borda.

O que o assento aberto não resolve

Sentar no vaso de banheiro público não é a forma de contágio que o imaginário popular supõe. Especialistas em infectologia apontam que a transmissão de doença pelo contato da pele com o assento é extremamente improvável, porque a pele íntegra é uma barreira eficiente.

O hábito de flutuar sobre o vaso, agachado sem encostar, tende a causar mais problema do que solução. Ele aumenta respingo e, repetido ao longo dos anos, sobrecarrega a musculatura do assoalho pélvico.

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O assento em U reduz superfície de contato. Não elimina risco que já era baixo.

A parte que o Brasil copiou errado

Boa parte das matérias publicadas no país sobre o assunto acrescenta um quarto motivo à lista americana: o formato em U existiria para melhorar a acessibilidade de pessoas com deficiência.

No Brasil, essa afirmação inverte a norma.

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O que diz a NBR 9050

A ABNT NBR 9050 é a norma de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Ela é referenciada por legislação federal e municipal, o que lhe dá peso muito além de recomendação técnica.

O texto vigente desde 2015, atualizado em 2020, é direto: bacias e assentos em sanitários acessíveis não podem ter abertura frontal. A abertura é admitida apenas em ambiente hospitalar, onde atende a procedimento específico.

Ou seja, o modelo que virou sinônimo de banheiro público é exatamente o que a norma proíbe na cabine reservada a pessoas com deficiência.

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Por que o modelo aberto atrapalha o cadeirante

A cabine acessível existe para permitir a transferência da cadeira de rodas para o vaso, feita de lado, com apoio nas barras.

Nessa manobra, o usuário desliza o corpo sobre a borda do assento. Com a frente recortada, falta superfície contínua de apoio no momento em que ele precisa se acomodar, e o vão vira ponto de instabilidade. O risco é de escorregar durante a transferência.

Entidades de defesa dos direitos da pessoa com deficiência apontam o modelo aberto em cabine acessível como um dos erros de execução mais frequentes em obra de banheiro adaptado.

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O que fazer quando a cabine acessível tem o modelo errado

Vale começar pelo estabelecimento, porque na maioria dos casos a instalação foi feita por desconhecimento da norma e a troca da peça é simples e barata.

Persistindo, o caminho é a fiscalização municipal responsável pela vistoria de edificações e, em situação de descumprimento reiterado, o Ministério Público, que atua na tutela dos direitos da pessoa com deficiência.

Vale registrar a data, o endereço e uma foto da cabine. Denúncia com prova documental costuma andar mais rápido.

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