Morreu nesta segunda-feira (31) o jornalista Carlos Monforte, aos 77 anos. A informação foi divulgada pela GloboNews, emissora onde ele trabalhou nos últimos 15 anos de carreira. A causa da morte não foi informada.
Monforte é considerado o primeiro âncora do jornalismo brasileiro, título que carrega por ter acumulado, em 1983, as funções de editor-chefe e apresentador do Bom Dia Brasil, o primeiro telejornal matinal em rede nacional do país. Ficou nove anos à frente do programa.
Considerado um dos primeiros âncoras do jornalismo brasileiro, Carlos Monforte faz uma distinção entre a função que desempenhou e a dos âncoras norte-americanos: “Âncora é uma expressão que nasceu nos Estados Unidos: anchor-man. Mas o âncora americano é o que apresenta o jornal, simplesmente. Ele não dá um palpite, não dá uma opinião, simplesmente apresenta o jornal. No Brasil, o âncora é o editor-chefe: ele comanda, diz o que entra no jornal, qual será a sequência dos blocos.”
De Santos para a redação
Carlos Américo Aguiar Monforte nasceu em Santos, no litoral paulista, em 3 de julho de 1949. Formou-se em jornalismo na cidade natal e começou a trabalhar no início dos anos 1970, no jornal A Tribuna.
Depois passou por O Estado de S. Paulo, onde atuou como repórter especial até 1978. Foi nesse ano que trocou o impresso pela televisão, convidado a integrar a equipe da Globo em São Paulo.
Começou como repórter local. Foi um dos primeiros da emissora a trabalhar com as unidades móveis, tecnologia então recente no jornalismo de TV brasileiro, e passou a produzir matérias para o Jornal Nacional e o Fantástico.
O telejornal que ele inventou
Em 1982, assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e passou a editar e apresentar o Bom Dia São Paulo.
No ano seguinte veio a mudança que definiria sua carreira. A Globo decidiu criar um telejornal matinal em rede nacional, gerado de Brasília, e Monforte foi para a capital federal comandá-lo. O Bom Dia Brasil estreou em 1983 com ele acumulando a chefia de redação e a bancada.
A combinação era incomum na TV brasileira da época, em que apresentador e editor-chefe eram funções separadas. É dessa acumulação que vem a definição que o acompanha até hoje.
No fim dos anos 1980, participou do Palanque Eletrônico, programa que entrevistou os candidatos à Presidência na eleição de 1989, a primeira direta depois da ditadura militar.
O dia 1º de setembro de 1994
Em setembro de 1994, Monforte se preparava para uma entrada ao vivo com o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. O Plano Real tinha dois meses e a eleição presidencial estava a um mês.
Durante a conversa que antecedia a entrevista, com o sinal ainda aberto e captado por antenas parabólicas espalhadas pelo país, Ricupero comentou sobre o que fazia com os dados econômicos. Disse que o que é bom se mostra e o que é ruim se esconde.
O trecho vazou, virou escândalo nacional e Ricupero pediu exoneração dois dias depois, em 3 de setembro. O episódio entrou nos manuais de comunicação política brasileira e chegou a mexer com o mercado de antenas parabólicas, cuja procura cresceu no período seguinte.
Monforte não era o assunto da história. Era o jornalista do outro lado dela.
Os últimos anos
Depois de deixar o comando do Bom Dia Brasil em 1992, Monforte passou um período fora da Globo, montando o departamento de comunicação da Confederação Nacional da Indústria.
Voltou como repórter especial do Jornal da Globo e, no fim dos anos 1990, editou e apresentou o Bom Dia DF, na Globo Brasília.
Em 2001 assumiu a coordenação e a apresentação da GloboNews na capital federal, onde permaneceu até dezembro de 2016. A saída foi um pedido dele. No comunicado de despedida, a emissora escreveu que Monforte sempre teria lugar de destaque na história da Globo.
Matéria em atualização.
