Com “nomes proféticos e poéticos”, conforme explica a mãe, três irmãos com menos de dez anos chamaram a atenção de um prêmio internacional de inteligência. Pitágoras Blaise, de 9 anos, Pitásigma Majoris, de 6 anos, e Pisócrates Meraki, de 4 anos, moram em Itajaí e estão em processo de reconhecimento pelo prêmio Star Kids Awards (ISKA), uma iniciativa global que reconhece habilidades e conquistas excepcionais de crianças e adolescentes de até 18 anos em mais de 30 países.
O principal motivo pelo qual os irmãos chamaram a atenção da premiação internacional foi pelo interesse precoce em artes, literatura, geografia e matemática. A mãe deles, Josefa Clemência de Oliveira Andrade, contou em entrevista ao g1 Santa Catarina que Pitágoras já teve uma premiação confirmada pela ISKA e, agora, a família aguarda a entrega do troféu e da medalha.
De onde vieram os nomes
A mãe explica que os nomes são inspirados pelo número pi (π), que é uma constante matemática que representa a proporção entre o comprimento de uma circunferência e o diâmetro, valendo aproximadamente 3,14159. Por mais incomum, a escolha reflete o incentivo à busca pelo conhecimento.
De acordo com Josefa, as combinações unem conceitos matemáticos, astronômicos e filosóficos. Os nomes são descritos como “proféticos e poéticos”. Pitágoras Blaise foi uma homenagem ao filósofo e matemático grego Pitágoras, e representa a busca pela sabedoria e a humildade diante do conhecimento, segundo a mãe. Já Blaise homenageia o matemático e escritor francês Blaise Pascal, e simboliza a genialidade e a curiosidade.
“Pitásigma vem do Pi, que representa o infinito, e do sigma, que é a soma. Significa ‘somar infinitamente’. Majoris remete à ideia de maior, inspirada em uma estrela. Já Pisócrates Meraki une o infinito, a sabedoria de Sócrates e a palavra grega meraki, que significa fazer algo com a alma e dedicação”, conta.
O gosto pelo aprendizado, segundo a mãe, é espontâneo em não uma imposição. Os filhos autodidatas continuam sendo crianças que “sobem em árvores, rolam na grama, têm contato com a natureza, correm, brincam e, acima de tudo, se desenvolvem de forma saudável”, garante a mãe.
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Interesse precoce em artes, literatura, geografia e matemática
O fascínio pelos números se mostrou na capacidade de memorização do cálculo do Pi. Aos 6 anos, o jovem Pitágoras já tinha memorizado os 120 dígitos da constante matemática e explicado o teorema de mesmo nome independentemente, enquanto Pitásigma guardou 50 dígitos na mente e Pisócrates lembrou 15.
“Uma delas era a memória excepcional, mas, principalmente, o interesse profundo e espontâneo por aprender coisas novas. Eles faziam questionamentos que iam muito além do esperado. Certa vez, perguntaram: ‘Por que o planeta se chama Terra se tem mais água do que terra? Não faz sentido'”, lembra.
O irmão Pisócrates, descrito pela mãe como uma criança extremamente curiosa, simpática e perspicaz, também obteve um reconhecimento e espera a publicação oficial da organização. Aos três anos, já conseguia identificar o símbolo abstrato do Pi, sabia que valia 3,14 e compreendia noções cartográficas e de geografia política.
Enquanto isso, a indicação de Pitásigma ainda está em análise, que reconhece obras do acervo de Tarsila do Amaral, Van Gogh e Leonardo da Vinci, além de nomear todos os países da América do Sul no mapa. Apesar das habilidades avançadas, Josefa reforça que a rotina das crianças mantém a leveza da idade. Josefa explica que o processo para conquistar um reconhecimento da ISKA envolve três etapas: indicação, avaliação do talento e resultado final.
“O processo passa por três etapas: indicação, avaliação com comprovação de talento e o resultado final. Ele representa a validação do talento, visibilidade e fortalecimento da autoestima. Se conseguirmos para os três, acredito que será inédito no Brasil. Nosso maior troféu foi representar Santa Catarina internacionalmente”, elabora a mãe em entrevista ao g1 Santa Catarina.
Atualmente, Pitágoras participa do projeto Criança Ensina Criança e dá aula uma vez por semana, ensinando outras crianças a usarem a tecnologia. Ele também é aluno no Missão 2030, do NASA Space Apps Campinas, e foi semifinalista na edição 2026 do Programa de Embaixadores de um dos maiores hackathons mundiais de inovação e tecnologia.
“Vale frisar que, embora sejam crianças muito inteligentes, em nenhum momento a infância deles está sendo violada. Eles sobem em árvores, rolam na grama, têm contato com a natureza, correm, brincam e, acima de tudo, se desenvolvem de forma saudável”, destaca a mãe.







