Polarização vai dizer se Augusto Cury é candidato viável ou elefante em cima da árvore

Avanço surpreendente do escritor nas pesquisas mexe no tabuleiro político

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Candidato do Avante foi o primeiro além de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a atingir dois dígitos em pesquisas de intenção de voto (Foto: Divulgação)

O surpreendente avanço de Augusto Cury (Avante) em duas pesquisas para a presidência da República divulgadas nesta segunda-feira (31) alimenta uma dúvida tão inevitável quanto irresistível entre os analistas: o médico e escritor é capaz de se consolidar como uma terceira via competitiva na corrida eleitoral polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)? Ou seria ele somente um candidato a elefante em cima da árvore?

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A metáfora popular costuma ser associada à incredulidade do improvável: ninguém sabe como o elefante subiu tão alto, mas todos juram de pé junto que uma hora ele vai cair. No caso de Cury, o debate ainda é prematuro. A escalada nas sondagens de intenção de votos, no entanto, mexe no tabuleiro político.

No levantamento Nexus/BTG, o candidato do Avante subiu de 2 para 11 pontos na estimulada – quando os nomes dos postulantes são apresentados ao eleitor. Foi a primeira vez que um candidato “fora das bolhas” atingiu os dois dígitos. No mesmo recorte, Lula teve 39% e Flávio, 31%. Ambos caíram em relação à pesquisa anterior, feita na última semana (41% e 37%, respectivamente).

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Os números sugerem que, neste momento, Cury comeu um pouco de cada beirada: ele pode tirar votos tanto de Lula quanto de Flávio – mas um pouco mais do filho 01. É uma posição mais vantajosa que a dos outros três nomes que disputam essa vaga de terceira via porque Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), cada um à sua maneira, orbitam o eleitorado mais propenso ao bolsonarismo.

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A campanha de Cury credita o crescimento a uma onda de exposição do candidato, natural pelo fator novidade. A participação em debates e entrevistas renderam cortes explorados nas redes sociais, onde o escritor já tinha uma boa base de seguidores. Há quem também atribua esse resultado à fadiga do eleitor com a polarização. Três em cada dez brasileiros se declaram politicamente independentes, segundo extratos de uma recente pesquisa Quaest. É a turma “nem-nem”: nem esquerda, nem direita, nem Lula, nem Bolsonaro.

Com críticas ao status quo embaladas em um discurso mais moderado, Cury pode ter pego nessas pesquisas uma pequena onda por renovação que já foi surfada no passado pelos mesmos grupos políticos que hoje pretende combater. Mas a fama tem seu preço. Quem ameaça crescer entra na mira, e se seguir nessa toada o candidato do Avante tende a ser alvo da mesma polarização que diz condenar.

Ainda é cedo para dizer se esse crescimento repentino de Cury é espontâneo ou feito sob encomenda – campanhas adversárias questionam o possível uso de robôs e pagamentos a influenciadores nas redes sociais, o que o candidato nega. Mas não deixa de ser sintomático que um escritor que fez fama com livros que ajudam a controlar emoções provoque justamente esse tipo de ansiedade em quem deseja por mudança. As próximas pesquisas, que já saem nesta semana, dirão quão firme é esse galho da árvore que ele subiu.