As recentes revelações do inquérito da Polícia Federal (PF), trazendo à tona suspeitas sobre o teor de mensagens e a proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de mensagens com menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, ultrapassam o debate sobre divergência jurisprudencial ou paixões partidárias. Chega-se a um ponto em que a exigência por explicações claras, transparentes e convincentes torna-se um dever institucional inadiável.
Crises políticas envolvendo os Poderes Executivo e Legislativo são recorrentes na história do país. Ao longo das últimas décadas, o Brasil assistiu a escândalos de corrupção, processos de impeachment e negociações fisiológicas nos bastidores de Brasília. O Judiciário, embora pontualmente maculado por crises de menor dimensão, ainda resistia a entrar no foco de investigações. Contudo, quando a suspeita de relações inadequadas ou ilícitas atinge a cúpula do mais alto tribunal do País e a chefia do Ministério Público Federal (MPF), o cenário muda de patamar. Mesmo que os casos sejam individualizados, a relevância dos cargos ocupados expõe também as instituições.
A população já demonstrava forte desgaste e polarização diante de decisões controversas e do protagonismo político adotado por instâncias superiores nos últimos anos. No entanto, divergir de uma decisão judicial faz parte do jogo democrático. O que não pode fazer parte do ecossistema institucional é a dúvida sobre a imparcialidade e a lisura moral dos magistrados que detêm a última palavra sobre as leis do país.
Ao permitirem que suas condutas e interlocuções fiquem sob a sombra da dúvida, os envolvidos expõem o STF e a PGR a um nível inédito de desconfiança pública. A credibilidade das instituições não pertence a seus ocupantes temporários, mas ao Estado Democrático de Direito.
Diante da gravidade dos fatos expostos pela Polícia Federal, o STF e a PGR têm a obrigação moral e institucional de agir com o máximo rigor, serenidade e transparência. Atos corporativistas ou o silêncio tático apenas aprofundarão o desgaste da imagem do Judiciário perante a sociedade brasileira. Para restabelecer a confiança, o processo de esclarecimento precisa ser inequívoco. Afinal, a Justiça não deve apenas ser feita; precisa também parecer justa, em todos os níveis.
