Até pouco tempo atrás, ter um lugar para dormir era uma das principais preocupações de ao menos 231 pessoas que foram acolhidas na Passarela da Cidadania, em Florianópolis. É o caso de Cristhian Marcos da Rosa, de 31 anos, que deixou a situação de rua e conseguiu emprego.
Agora, o sonho é outro: aumentar a independência alugando um imóvel, se dedicar aos estudos e até formar uma família. Natural de São José, na Grande Florianópolis, Cristhian chegou à Passarela da Cidadania em março.
No espaço de acolhimento, passou pelo Aliança por Floripa e encontrou também uma oportunidade de recomeçar profissionalmente. Fez um curso de garçom e, desde então, já conseguiu alguns trabalhos como freelancer. A mudança, segundo ele, foi muito maior do que apenas conseguir uma fonte de renda.
“Aqui me ensinaram outra profissão. Devolveram meu bem-estar financeiro”, relata.
Agora, Cristian tenta transformar a nova rotina em estabilidade. O próximo objetivo é conseguir alugar um lugar para morar nos próximos meses. Depois, pretende estudar e seguir construindo uma vida que, há pouco tempo, parecia distante.
Só de não estar jogado na rua, ter maior estabilidade, já é uma mudança.
“Buscando fazer o melhor”, afirma acolhido na Passarela da Cidadania
A história de Cristian se aproxima da contada por Diego, de 37 anos, que saiu de Londrina, no Paraná, e chegou a Florianópolis em outubro. Depois de passar pela Passarela da Cidadania, ele também encontrou no trabalho uma forma de reconstruir a própria vida.
Hoje, Diego Henrique Ramos trabalha na limpeza do Hospital Governador Celso Ramos e já fez cursos profissionalizantes oferecidos pela Passarela. A rotina ainda está longe de ser fácil, mas o objetivo está definido: conseguir um lugar para chamar de seu.
Estou buscando fazer o melhor possível para ter as melhores condições e seguir meu caminho independente.
Ele reconhece as dificuldades na trajetória, mas também dá um recado para pessoas que passam por situações complicadas: “Procurar não desistir. Não é fácil, mas temos que seguir tentando, por que as melhorias serão para nós mesmos”.
Mais de 200 pessoas em situação de rua foram encaminhadas a uma vaga de emprego em Florianópolis
Somente neste ano, 213 pessoas acolhidas na Passarela da Cidadania, localizado na Passarela Nego Quirido, foram encaminhadas para oportunidades de trabalho por meio da Central de Trabalho e Oportunidades. São os casos de Diego e Cristhian.
A iniciativa aproxima os usuários das vagas disponíveis no mercado, por meio de 29 empresas parceiras, e amplia as possibilidades de geração de renda, criando condições para que possam avançar no processo de saída dos serviços de acolhimento.
A saída do acolhimento, no entanto, não significa o rompimento com a rede de assistência. Durante o período de adaptação, os usuários podem continuar utilizando serviços disponíveis nos abrigos, como alimentação e lavanderia. Esse suporte é importante nos primeiros meses, quando ainda estão se organizando financeiramente e estruturando a nova residência.








