Alexandre Birman (E) e Roberto Jatahy (D) não conseguiram deixar as diferenças de lado (Foto: Arquivo NSC Total)
Criada a partir de uma megafusão que deu origem a uma das maiores companhias de moda da América Latina, a Azzas 2154 não resistiu às divergências entre seus dois principais sócios-controladores. Após meses de rumores de um possível divórcio entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy, a companhia informou nesta quarta-feira (2) o fim do casamento, com uma cisão entre empresas somente dois anos e meio após a união, oficializada em fevereiro de 2024.
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Nessa nova reorganização societária, como a Azzas trata o assunto em um fato relevante divulgado pela manhã, os atuais negócios do grupo serão divididos em duas companhias abertas e listadas no Novo Mercado da B3, a Bolsa de Valores brasileira, com estruturas de administração e governança próprias. Na prática, é um retorno ao status pré-fusão entre Arezzo e Grupo Soma.
O bloco de Birman, a Arezzo&Co, controlará as operações de calçados e bolsas, incluindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi. A novidade é que este mesmo grupo também ficará com a blumenauense Hering – incluindo todas as suas extensões. Antes da fusão, a Hering pertencia à Soma.
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O bloco de Jatahy, a Soma, concentrará as marcas e operações de Animale, NV, Maria Filó e Cris Barros, Reserva e suas extensões, Oficina e Foxton.
Além da Hering: relembre outras empresas de Blumenau que foram vendidas
A Artex foi incorporada nos anos 2000 pela Coteminas (Foto: Reprodução)A Mega Transformadores foi comprada em 2000 pela multinacional sueco-suíça ABB (Foto: Reprodução)A Eisenbahn foi comprada em 2008 pelo Grupo Schincariol. Depois, foi negociada com a japonesa Kirin até ser adquirida pela Heineken (Foto: Divulgação)Em 2008 a francesa Areva, fornecedora de equipamentos de energia, comprou a Waltec, que mais tarde passaria a integrar a Schneider Electric (Foto: Patrick Rodrigues, BD)Em 2010 a Wheb Sistemas, fabricante de softwares de gestão de saúde, foi comprada pela multinacional Philips (Foto: Patrick Rodrigues, BD)A Dudalina foi vendida em 2013 para fundos americanos e um ano depois acabou comprada pela Restoque, hoje Veste S.A (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Desde setembro de 2016 a Bermo, fabricante de válvulas e equipamentos industriais, faz parte do Grupo ARI Armaturen, da Alemanha (Foto: Divulgação)A Baumgarten não foi vendida, mas em 2016 anunciou uma fusão com duas empresas alemãs que deu origem à All4Labels (Foto: Divulgação)Em 2017, a CM Hospitalar, dona do Grupo Mafra (atual Viveo), anunciou a compra da Cremer (Foto: Luís Carlos Kriewall Filho, Especial, BD)Desenvolvedora de softwares de gestão logística, a HBSIS foi comprada em 2019 pela cervejaria Ambev (Foto: Divulgação)Em março de 2021, a Viveo comprou o Grupo FW, fabricante de lenços umedecidos e dona da marca Feel Clean (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Em 2021 a Cia. Hering aceitou uma proposta de compra do Grupo Soma (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total, BD)Em 2021 a Hemmer foi comprada pela multinacional Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, NSC Total, BD)A Unimestre, que desenvolvia sistemas de gestão educacional, foi comprada em outubro de 2021 pela Plataforma A+ (Foto: Divulgação)Em 2021 a fintech PagueVeloz aceitou uma proposta de compra feita pela Serasa (Foto: Pedro Machado, NSC Total, BD)A agência de marketing digital A7B foi comprada em 2021 pela Adtail, empresa gaúcha do mesmo ramo (Foto: Divulgação)Em 2021, o Laboratório Hemos foi comprado pelo Grupo Sabin, uma das principais empresas de medicina diagnóstica do Brasil (Foto: Divulgação)Em 2021, a startup Velo foi comprada pela QuintoAndar, plataforma de moradia (Foto: Reprodução)Em dezembro de 2021, a marca Sulfabril foi arrematada em leilão pela companhia têxtil catarinense Lunelli (Foto: Lucas Amorelli, BD)A Movidesk, que oferece soluções tecnológicas de atendimento e suporte a clientes, foi comprada em dezembro de 2021 pela companhia gaúcha Zenvia (Foto: Divulgação)Em 2021, a fabricante de etiquetas, tags e acessórios de moda Tecnoblu foi comprada pela canadense CCL Industries (Foto: Divulgação)
A cisão também transforma a Farm, uma das principais grifes do catálogo da Azzas 2154, em uma empresa à parte, neste caso com participação acionária dos dois sócios principais – a Arezzo&Co ficará com uma fatia de 57,4% da marca, enquanto a Soma será contemplada com 42,6%.
No rearranjo societário, Birman e Jatahy passam na prática a ter mais autonomia para gerir cada um as suas unidades. Desde a fusão, os executivos não se entenderam a ponto de deixar as diferenças de lado. Ambos têm personalidades e estilos de gestão distintos e propensos a eventuais conflitos.
No fato relevante, a Azzas 2154 informou que a reorganização tem como objetivo permitir que cada empresa resultante da cisão opere com administração separada, com foco em seus respectivos modelos de negócios e oportunidades de mercado, além de acesso direto e independente ao mercado de capitais e outras fontes de financiamento.
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Com a cisão, cada acionista da Azzas 2154 se tornará titular de ações de emissão de ambas as companhias (Arezzo&Co e Soma), de maneira proporcional. A consumação da operação ainda precisa passar por aprovação em assembleia geral da companhia e receber o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).