Um vídeo mostrando o treinamento em uma das unidades da rede de franquias da Cacau Show viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (1°). No conteúdo, uma das responsáveis pela unidade ensina dicas de como organizar os produtos nas prateleiras e vender. O caso ganhou repercussão após internautas comentarem que a mulher estaria incentivando os colaboradores a não mostrarem o preço dos chocolates. Em nota, a Cacau Show declarou que incentiva boas práticas de atendimento.
No início do vídeo, a colaborada começa afirmando que as caixas mais organizadas devem ficar na frente nas prateleiras, para ser o “cartão de visitas” do público. Em seguida, a mulher começa a dar dicas sobre o local certo para colocar o precificador dos produtos. Ao se referir à etiqueta de preço, a colaborada afirma:
“É algo paliativo, logo, não pode tá na frente. Porque é como se eu estivesse falando para o cliente: ‘Não coloca a mão porque essa custa R$141’“, afirma.
Em seguida, a mulher afirma que a melhor maneira de vender os produtos é conversar abertamente com os clientes, para descobrir as razões da compra.
“A gente não vende chocolate. A gente toca a vida das pessoas, proporcionando momentos inesquecíveis, que pode ser um pedido de desculpas, um reconhecimento ou um momento feliz para compartilhar com a família. Mas eu não posso ter o preço escancarado, não é assim“, disse.
Veja vídeo
Em nota, a Cacau Show explicou que mantém um trabalho contínuo de orientação junto as filiadas. “A Cacau Show reforça que mantém um trabalho contínuo de orientação junto às suas lojas sobre boas práticas de atendimento, sempre com transparência e respeito ao consumidor”, diz o comunicado.
Vídeo viralizou nas redes sociais
Nas redes sociais, uma publicação com o conteúdo já ultrapassa 1,5 milhão de visualizações. A publicação conta com mais de 10 mil curtidas e mil comentários.
“Esse treinamento de vendas da Cacau Show é assustadoramente problemático. Esconder o preço dos produtos é o menos pior aqui”, diz o dono da postagem.
Nos comentários, internautas ficaram divididos sobre o tom e a mensagem por trás do treinamento divulgado:
“Tom alto e repreensivo desnecessário para orientar. Sim, a experiência deve ser prioridade. Contudo, o valor deve ser visível e legível, pois é direito do consumidor”, disse uma internauta. “Pois eu desisto na hora de comprar qualquer coisa quando não tem o preço”, afirmava um comentário.
“Não acho que seja problemático. É estratégia de vendas. Ela não está errada não. Ela quer vender o produto dela e tem uma estratégia pra isso. Ela não quer que o produto dela seja reduzido a preço. Não é apenas preço. É valor sentimental também”, disse outro internauta,
Lojas devem indicar o preço de produtos
A polêmica gira em torno da possível proibição de deixar os preços visíveis aos consumidores, prática ilegal no Brasil, segundo a Lei nº 10.962/2004. Sancionada em 2004, ela regulamenta a oferta e a afixação de preços de produtos e serviços para o consumidor. Segundo o decreto, todos os produtos vendidos em estabelecimentos devem ter preços, etiquetas e ou similares afixados.
No comércio em geral, o preço deve ser divulgado por etiquetas ou similares afixados diretamente nos produtos, ou nas vitrines, com o preço à vista em caracteres legíveis. Além disso, o decreto nº 5.903/2006 ainda afirma que os valores devem ficar sempre visíveis aos consumidores enquanto o estabelecimento estiver aberto ao público.
A informação deve ser correta, clara, precisa, ostensiva e legível. Em estabelecimentos que utilizam código de barras deve haver equipamento de leitura óptica para consulta de preços, em local de fácil acesso.
Além disso, se o produto tiver dois preços diferentes, o consumidor tem direito de pagar o menor preço, ainda segundo a Lei 10.962/2004.
Falta de preço visível pode gerar multa
A falta de preço nos produtos pode gerar multa, mas não existe uma multa federal única. Cada caso é analisado de forma específica. Caso o estabelecimento não ofereça o valor do produto, a infração é enquadrada nas normas de defesa do consumidor e a multa é calculada pela autoridade fiscalizadora conforme a gravidade da infração, a vantagem obtida e a capacidade econômica do estabelecimento.
O Procon e outros órgãos competentes analisam a situação e aplicam os critérios previstos no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Por isso, duas lojas que praticam uma infração semelhante podem receber multas diferentes, dependendo de qual lei ou decreto foi infligido.
