A queda de 74% no volume de espera do INSS levou a fila de processos represados para 1,3 milhão, o menor patamar dos últimos 21 meses. O resultado do Instituto Nacional do Seguro Social foi apresentado durante o evento “Atendimento Sem Fila na Previdência Social”, nesta quinta-feira (3). O resultado decorre de esforço do Ministério da Previdência Social para cumprir uma das principais promessas da gestão atual, que assumiu o governo com 3 milhões de requerimentos parados no início de 2023. A aceleração nas análises, contudo, revela um lado B focado no rigor técnico dos peritos. O volume de indeferimentos disparou 70% no acumulado deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Ministério da Previdência Social. Somente no mês de junho, quase 1 milhão de segurados tiveram o pedido negado após passarem pela triagem.
Negativas em benefícios por incapacidade
Cortes expressivos atingiram principalmente os trabalhadores que buscam auxílio-doença (atual auxílio por incapacidade temporária), auxílio-acidente e aposentadoria por invalidez (incapacidade permanente).
A força-tarefa organizada pelo Ministério da Previdência Social combinou mutirões presenciais e automação digital para enxugar a fila do INSS, concentrando os indeferimentos justamente nas perícias médicas dessas três modalidades. À TV Globo, Lula destacou a antecipação de metas de zerar a fila do INSS.
Sobra para a fila normal apenas 251 mil pessoas, que é o padrão de até 45 dias considerado aceitável.
Queda na fila do INSS e troca na gestão da pasta
O estoque de requerimentos da fila do INSS manteve um ritmo constante de retração ao longo de 2026. O volume total de solicitações caiu de 1,8 milhão em junho para 1,55 milhão em julho, até atingir a marca atual de 1,3 milhão de pedidos. A redução acumulada de 57% frente ao cenário do início do mandato reflete mudanças operacionais profundas adotadas pela pasta a poucos meses do período eleitoral.
A virada de chave na fila do INSS ocorreu em abril, quando o governo federal nomeou a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira para comandar a instituição. Ex-presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), a gestora assumiu a missão imediata de zerar a fila do INSS e estancar crises de imagem deixadas pela gestão anterior.
O presidente anterior, Gilberto Waller, havia sido desligado após desdobramentos de investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, um esquema que movimentou R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 e resultou na prisão do ex-gestor Alessandro Stefanutto.
Balanço das metas econômicas do governo Lula
A busca para zerar a fila do INSS integra um pacote de oito compromissos econômicos centrais assumidos por Lula durante a campanha eleitoral. Além do reordenamento do Ministério da Previdência Social, a pauta do Palácio do Planalto inclui metas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, a renegociação de dívidas das famílias, a alteração na política de preços dos combustíveis e a implementação da reforma tributária.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.







