Dois estudantes constroem barco-robô de apenas 2 metros para cruzar o Atlântico completamente sozinho

Ivan Kruchinin e Sophie Brookes desenvolveram em Portugal o SAILONE, embarcação autônoma movida pelo vento e pelo sol que pretende navegar 970 km sem tripulação

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Projeto construído em Setúbal pretende cruzar o caminho entre Lisboa e a Madeira (Foto: Divulgação / SAILONE)

Projeto construído em Setúbal pretende cruzar o caminho entre Lisboa e a Madeira (Foto: Divulgação / SAILONE)

Quando Ivan Kruchinin e Sophie Brookes finalmente colocarem seu pequeno barco no Atlântico, haverá algo difícil de ignorar. Ninguém estará no convés. Ninguém o dirigirá. E, quando Portugal desaparecer no horizonte, ninguém poderá assumir o controle à distância.

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Essa solidão é justamente o objetivo do SAILONE, projeto criado pelos dois estudantes em Setúbal, Portugal. Com apenas dois metros de comprimento, o barco-robô foi desenvolvido para interpretar o vento, tomar decisões e atravessar sozinho centenas de quilômetros.

A primeira grande missão planejada liga Lisboa a Funchal, na Ilha da Madeira, em uma rota de aproximadamente 970 quilômetros. Segundo o projeto, a viagem deve durar entre 14 e 20 dias, durante os quais a embarcação não receberá comandos remotos.

Ninguém no leme

Para um barco tão pequeno, o Atlântico é um lugar desproporcionalmente grande. O SAILONE mede dois metros de comprimento e 60 centímetros de largura, desloca cerca de 55 quilos e foi projetado para avançar, em média, a apenas 1,5 nó (2,77 km/h).

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Seu movimento vem do vento. Em vez de uma vela tradicional de tecido, Sophie e Ivan construíram uma asa rígida vertical, semelhante ao perfil aerodinâmico de uma asa de avião.

Barco feito em partes

Antes de enfrentar ondas, o SAILONE existiu dividido em 17 pedaços feitos em uma impressora 3D. As cascas de PLA, com cerca de três milímetros de espessura, foram coladas e depois cobertas por sucessivas camadas de fibra de vidro.

Somente o casco pronto ficou com cerca de sete quilos. Segundo Ivan no site oficial do projeto, o plástico impresso serve principalmente para dar forma hidrodinâmica à embarcação. A resistência estrutural é fornecida pela fibra de vidro aplicada sobre a estrutura.

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Por dentro está aquilo que transforma um pequeno veleiro em robô. O cérebro da embarcação são pequenos computadores Raspberry Pi e ESP32. Eles serão os capitães de uma tripulação digital que inclui piloto automático, GPS, sensores e comunicação por satélite.

Essa é uma evolução de sistemas de tecnologia embarcada que também transformaram grandes veleiros.

Olhos contra gigantes

Talvez o maior problema não seja descobrir o caminho até a Madeira, mas perceber aquilo que aparecer no percurso. Um cargueiro de centenas de metros pode percorrer em poucos minutos uma distância que o SAILONE levaria muito mais tempo para vencer.

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Para isso, os estudantes incorporaram um receptor AIS, sistema usado no tráfego marítimo. Ele permite detectar transmissões de embarcações próximas com informações como posição, velocidade e direção, para que o piloto automático possa alterar sua rota em caso de risco de colisão.

Enquanto navega, o SAILONE também pretende funcionar como uma pequena plataforma científica. O projeto prevê registrar diversos marcadores durante o caminho e disponibilizá-los gratuitamente para a comunidade científica.

A partida atrasou

O maior teste, porém, ainda não começou. O site do projeto originalmente indicava 15 de agosto de 2026 como data de lançamento da missão entre Lisboa e Funchal.

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Até 3 de setembro, o rastreador oficial do SAILONE continuava informando que o barco ainda não havia sido lançado e que os dados exibidos eram simulados.

O cronograma, porém, está em transição. Enquanto a página principal e o rastreador ainda exibem a missão como prevista para 2026, páginas publicadas recentemente no diário de construção passaram a identificar o projeto como “Atlantic Crossing 2027”.