Jornal Nacional não anunciou pedido de prisão preventiva contra Moraes; vídeo usa deepfake

Conteúdo manipula imagem e voz de Renata Vasconcellos e distorce relatos sobre o desentendimento entre ministros do STF

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Jornal Nacional não anunciou que um pedido de prisão preventiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia sido protocolado na terça-feira (1°/9), diferentemente do que afirma um vídeo viral no TikTok (Foto: Projeto Comprova)

Conteúdo checado pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne veículos de mídia do país em defesa da integridade da informação.

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O Jornal Nacional não anunciou que um pedido de prisão preventiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia sido protocolado na terça-feira (1°/9), diferentemente do que afirma um vídeo viral no TikTok. O conteúdo manipula a imagem e a voz da apresentadora Renata Vasconcellos usando técnicas de deepfake.

Além disso, a publicação afirma que o ministro André Mendonça teria solicitado investigações sobre supostas ligações financeiras entre Moraes, sua esposa e o banqueiro Daniel Vorcaro. A publicação também diz que a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) estariam sendo utilizadas para proteger interesses privados, e que Moraes e Mendonça teriam se agredido.

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Na terça-feira, Mendonça derrubou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. As mensagens sugerem que o ministro discutia com Vorcaro sobre a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, além de estratégias para o banqueiro evitar a prisão preventiva. O caso ganhou novos contornos quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF

Porém, a edição do Jornal Nacional exibida em 1º de setembro noticiou as mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigadas pela PF, sem apresentar a declaração atribuída à jornalista. Renata também usava uma roupa diferente da exibida no conteúdo investigado.

Na mesma data, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que pretendia apresentar ao STF pedidos de abertura de investigação, afastamento cautelar e prisão preventiva de Moraes. Em um vídeo publicado em suas redes sociais na quarta-feira (2), Nikolas afirma que já pediu ao Supremo o afastamento de Moraes e, com outros deputados, assinou um pedido de impeachment para o magistrado

Também não há, diferentemente do que afirma o post viral, registro de agressão física entre Moraes e Mendonça. Fontes ouvidas pela CNN Brasil relataram que houve uma conversa “direta, dura e ríspida” entre os magistrados, após Mendonça afirmar que pediria a manifestação da PGR sobre a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. 

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Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova

A publicação investigada pelo Comprova foi realizada por um perfil no TikTok com 205,5 mil seguidores, e que ao todo, acumula 1,5 milhão de curtidas entre seus conteúdos. A conta possui vídeos relacionados principalmente à política e assuntos jurídicos.

O conteúdo analisado alcançou 420,3 mil visualizações, com cerca de 34,6 mil curtidas, 2.452 comentários e 7.950 compartilhamentos até o dia 2 de setembro, antes de ser retirado do ar. A postagem recorre a uma linguagem sensacionalista e sugere uma disputa entre autoridades do STF, estratégia que pode contribuir para ampliar o alcance e o engajamento da conta.

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O Comprova tentou contato com o responsável pelo perfil, mas não obteve resposta. Pouco depois, o vídeo foi removido das redes sociais.

Por que as pessoas podem ter acreditado

O vídeo utiliza conteúdo manipulado por inteligência artificial para atribuir a Renata Vasconcellos uma declaração que ela não fez. Segundo Alessandra Oliveira de Jesus, programadora especialista em segurança da informação que atua com segurança ofensiva, há distorções nos movimentos da boca da apresentadora que indicam o uso de sincronização labial artificial, conhecida como lip sync.

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“É uma técnica que utiliza um vídeo ou foto digital para modificar os movimentos da boca, geralmente através de um texto pré-definido que será sintetizado em áudio ou através de um áudio já definido”, explica.

A especialista também identificou indícios de clonagem de voz, recurso que usa amostras de áudio verdadeiro para reproduzir artificialmente o timbre e outras características da fala de alguém.

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Ao inserir a declaração fabricada na imagem da apresentadora, o vídeo se apropria da credibilidade de um veículo jornalístico para dar aparência de notícia ao conteúdo. O áudio foi submetido ao detector de IA Al Voice Detector, que apontou 75% de probabilidade de ter sido gerado por inteligência artificial.

O vídeo também mistura fatos reais com afirmações que não correspondem ao que foi apurado. Houve discussões sobre o afastamento de Moraes, o anúncio de Nikolas Ferreira e relatos de uma conversa ríspida entre os dois ministros. Esses episódios, porém, são apresentados como se comprovassem duas alegações que não se sustentam: a de que o Jornal Nacional anunciou um pedido já protocolado e a de que houve uma agressão física.

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Contexto da publicação

No dia 27 de agosto, a PF entregou ao STF um relatório final sobre o caso Banco Master, que incluía mensagens nas quais o nome de  Moraes era mencionado. Em 31 de agosto, Mendonça retirou o sigilo das mensagens e encaminhou as informações à PGR, medida que gerou repercussão, e entrou em questionamento sobre a relação de Moraes com Vorcaro.  

Na terça-feira, o ministro do Supremo André Mendonça derrubou o sigilo do relatório da PF que reúne mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao também ministro do STF Alexandre de Moraes

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Segundo o relatório da PF, Vorcaro redigia as mensagens diretamente no bloco de notas do celular, tirava capturas de tela (prints) e as enviava como mensagens de visualização única pelo WhatsApp. Os investigadores da PF, no entanto, conseguiram restaurar os arquivos e identificaram mais de 40 textos enviados sob esse mesmo padrão.

As mensagens sugerem que Moraes discutia com Vorcaro sobre a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, além de estratégias para o banqueiro evitar a prisão preventiva. O caso teve uma forte repercussão política e jurídica no Brasil e ganhou novos contornos quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF

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Fontes que consultamos: Foram consultadas publicações de veículos como CNN BrasilAgência Senado e Congresso em Foco, além do registro da edição do dia 1º de setembro do Jornal Nacional disponível no Globoplay. Também foi ouvida Alessandra Oliveira de Jesus, especialista em segurança da informação. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

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Outras checagens sobre o tema: Conteúdos que usam deepfakes para simular declarações de apresentadores do Jornal Nacional já foram desmentidos pelo Comprova e pelo Aos Fatos. Recentemente, o Comprova checou vídeos com manipulação por inteligência artificial das imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).