O influenciador Lito Sousa, recentemente diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), analisou em seu canal no YouTube dois acidentes aéreos que marcaram a história de Santa Catarina. Os casos aconteceram na Grande Florianópolis, mas ganharam repercussão nacional. O vídeo foi publicado em agosto de 2021.
O primeiro acidente aéreo aconteceu em 1949, quando um avião do Correio Aéreo Nacional atingiu o Morro do Cambirela, em Palhoça, e matou 28 pessoas. Ninguém sobreviveu no que foi considerado, na época, o maior acidente aéreo do Brasil.
No mesmo material, Lito explica que três décadas depois, em 1980, o voo 303 da Transbrasil colidiu contra o Morro da Virgínia, em Florianópolis, deixando 55 mortos. Somadas, as duas tragédias provocaram 83 mortes.
Segundo Lito, apesar de terem ocorrido em épocas diferentes, os casos apresentaram circunstâncias semelhantes: as aeronaves enfrentavam condições meteorológicas adversas e colidiram contra montanhas.
Dois acidentes aéreos colocaram o Estado de Santa Catarina nas manchetes dos jornais. Apesar de serem em épocas diferentes, a forma como eles aconteceram foi a mesma.
Qual o estado de saúde de Lito Sousa?
Acidente no Cambirela matou 28 pessoas em 1949
O primeiro caso apresentado por Lito ocorreu em 6 de junho de 1949. O Douglas C-47, de prefixo FAB 2023, era utilizado pelo Correio Aéreo Nacional e fazia uma viagem entre o Rio de Janeiro e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, com diferentes escalas.
Depois de passar por São Paulo e Curitiba, a aeronave pousou no Aeroporto Hercílio Luz. Às 13h50min, decolou de Florianópolis em direção a Porto Alegre com 28 pessoas a bordo. Dez minutos depois, o comandante Carlos Augusto de Freitas Lima informou à torre de controle que precisaria navegar por instrumentos devido às más condições do tempo.
Minutos depois, o avião colidiu contra a Pedra da Bandeira, no Morro do Cambirela, a cerca de 800 metros acima do nível do mar. Nenhum dos 28 ocupantes sobreviveu. Como as aeronaves ainda não possuíam gravadores de voz e de dados de voo, conhecidos como caixas-pretas, não foi possível determinar exatamente o que provocou a queda.
Como não haviam os gravadores de voo e de voz na época, ficou praticamente impossível para se determinar com exatidão as causas que levaram ao acidente.
Naquele momento, a tragédia foi considerada o maior desastre aéreo já registrado no Brasil. No ano seguinte, em 28 de julho de 1950, a tragédia foi superada pela queda do avião Lockheed Constellation da Panair do Brasil (Voo 099) em Sapucaia do Sul (RS), que vitimou 51 pessoas.
Veja imagens do acidente
Voo 303 da Transbrasil caiu em Florianópolis em 1980
Em 12 de abril de 1980, Santa Catarina voltou a ser cenário de uma tragédia semelhante. O voo 303 da Transbrasil seguia de São Paulo para Florianópolis, antes de prosseguir até Porto Alegre.
O Boeing 727 decolou do Aeroporto de Congonhas às 19h55min, com 58 pessoas a bordo. Durante a aproximação para o Aeroporto Hercílio Luz, a tripulação enfrentou chuva forte, granizo, turbulência e descargas elétricas.
Lito explicou que o aeroporto utilizava o sistema de navegação NDB/ADF, cujo sinal poderia ser prejudicado pelas nuvens de tempestade. Durante uma das curvas previstas no procedimento, o avião voou acima da velocidade indicada e permaneceu na manobra por mais tempo que o previsto.
Essas discrepâncias contribuíram para afastar o voo 303 de sua trajetória ideal e o colocou em rota de colisão com as montanhas da parte norte da Ilha de Florianópolis.
Sem que os pilotos percebessem, o Boeing ficou mais de oito quilômetros ao norte da trajetória ideal. Às 20h38min, a aeronave colidiu contra o Morro da Virgínia, na região de Ratones.
Se ele tivesse somente 30 metros mais alto, teria passado por cima do morro, provavelmente concluído a viagem.
Dos 58 ocupantes, 55 morreram e três sobreviveram.
Tecnologia atual poderia evitar acidente semelhante, diz Lito
Na avaliação do especialista, a falta de equipamentos modernos de auxílio à navegação contribuiu para a tragédia. O Boeing não possuía o GPWS, sistema que alerta os pilotos quando uma aeronave se aproxima perigosamente do solo.
Várias das tecnologias usadas hoje não permitiriam que acidente assim acontecesse.
Lito também destacou as limitações da estrutura disponível no Aeroporto Hercílio Luz naquele período.
O outro fator contribuinte de grande impacto na cadeia de acontecimentos é que os auxílios fixos, os instrumentos disponíveis para navegação lá em Floripa, eram absolutamente rudimentares nessa época.
O relatório final do acidente não apontou um único motivo para a queda, mas registrou uma sequência de fatores. Nos anos seguintes, o Aeroporto Hercílio Luz recebeu novos equipamentos de navegação, como radar, VOR e ILS.
“Hoje eu já tenho 0,1% de chance”, afirma Lito
Nesta sexta-feira (4), Lito voltou a aparecer nas redes sociais falando sobre aviação. Já em casa, o influenciador afirmou que permanece com uma inflamação no cérebro, mas que a capacidade de compreender e recordar informações não foi afetada.
Também nesta sexta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira (4) a importação de um medicamento ainda em fase de teste para o caso do influenciador. O produto ainda está em estágio pré-clínico, sem estudos formalmente iniciados em seres humanos para a doença priônica. Ou seja, Lito será a primeira pessoa a testar a substância.
“Naquele dia, eu tinha 0% de chance de escapar dessa doença. E hoje eu já tenho 0,1% de chance. Mas eu não quero dar spoiler agora. Quero primeiro que o remédio chegue na minha mão, e aí vou aproveitar e vou explicar tudo para vocês. Serão boas notícias”, declarou.
Lito está em casa desde 1º de setembro e recebe cuidados de uma equipe de quatro enfermeiros. Criador do canal Aviões e Músicas, o especialista acumula 4,7 milhões de inscritos no YouTube.











