Não há a mínima chance de que propostas sérias e bem explicadas marquem a campanha eleitoral presidencial faltando cerca de um mês para o eleitor fazer a sua escolha. No principal ponto a ser discutido no Brasil: a crise fiscal com o juro de 14%, fruto da gastança desenfreada do governo, fica sem respostas.
Lula afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, que a dívida pública do Brasil não o preocupa e que o equilíbrio das contas públicas deve ser alcançado prioritariamente por meio do crescimento econômico e não pelo corte de investimentos. Mas como isso será possível num cenário global cada vez mais desafiador e, principalmente, com a crise fiscal galopante, endividamento as famílias e recuperações judiciais em patamares elevadíssimos?
Flávio Bolsonaro falou em fazer “tesouraço” nos gastos administrativos, prometendo a redução no número de ministérios, corte de cargos comissionados, simplificação burocrática e a revogação de mais de mil atos normativos. Sabidamente, medidas que podem trazer uma redução limitada de gastos e, portanto, insuficientes.
A violência endêmica que é a maior preocupação da população, a saúde pública que custa muito e entrega pouco, uma educação de péssima qualidade e de poucos avanços e como garantir um maior poder de compra do trabalhador?
Qual será, de fato, a política econômica? Como melhorar o poder aquisitivo das pessoas, sem que o salário seja corroído pela inflação? Quais reformas estruturantes serão defendidas?
Sabe-se, muito bem, que em campanha a ideia é não polemizar ou trazer notícia ruim. Os marqueteiros defendem o ataque ao adversário, em ambiente polarizado, e ideias superficiais que vendem uma solução mágica para um tema complexo. E como fazer o que é prometido? A lógica dos cortes das redes sociais torna qualquer explicação detalhada de programa se governo inviável.
Além disso, a seríssima crise institucional da mais alta corte do país, que vive uma degradação moral e falta de credibilidade com os áudios que expõem relações nada republicanas de um ministro, deixa a possibilidade de uma campanha baseada na discussão de propostas reduzida a zero.
A partir de agora, é lama.
