Região onde restavam 60 ursos vira destino para turistas que querem observar animais nas montanhas

Região onde restavam 60 ursos vira destino para turistas que querem observar animais nas montanhas

Compartilhe:
Montagem reúne uma ursa-parda com filhote e a paisagem montanhosa do norte da Espanha, região que recebe turistas interessados em observar a espécie. (Montagem: Wikimedia Commons – autores identificados nas páginas dos arquivos)

Montagem reúne uma ursa-parda com filhote e a paisagem montanhosa do norte da Espanha, região que recebe turistas interessados em observar a espécie. (Montagem: Wikimedia Commons – autores identificados nas páginas dos arquivos)

Antes de o sol alcançar as montanhas do norte da Espanha, pequenos grupos de visitantes já posicionam binóculos e câmeras diante das encostas. A maioria permanece a uma distância segura, sob orientação de guias, à espera de um movimento entre as árvores. O que procuram é um dos animais mais difíceis de observar na Europa: o urso-pardo cantábrico.

Continua após a publicidade

Há cerca de quatro décadas, a atitude seria muito mais improvável. A população desses ursos havia caído para aproximadamente 60 exemplares nos anos 1980, segundo reportagem publicada pelo. A caça, a perda de habitat e a divisão dos grupos sobreviventes colocavam a espécie diante do risco de desaparecer da região.

Atualmente, a estimativa apresentada pelo jornal britânico se aproxima de 500 animais nas montanhas cantábricas. A recuperação criou um novo desafio para as comunidades locais: permitir que moradores e turistas acompanhem o retorno dos ursos sem acostumá-los à presença humana.

Proteção mudou ameaça iminente

A Espanha proibiu a caça ao urso em 1973, mas a população não se recuperou imediatamente. O avanço tornou-se mais perceptível a partir da década de 1990, com fiscalização, restauração de habitats e programas de acompanhamento conduzidos por governos regionais e organizações como a Fundación Oso Pardo.

Continua após a publicidade

Parte dos animais vive nas montanhas das Astúrias, onde o Parque Natural de Somiedo reúne vales, florestas e áreas elevadas usadas pelos ursos para procurar alimento. Mães com filhotes e indivíduos mais jovens estão entre os mais procurados pelos visitantes, embora nenhum avistamento seja garantido.

A observação costuma começar cedo ou avançar até o final da tarde, períodos em que os animais podem se movimentar com maior frequência. Guias recorrem a telescópios para evitar aproximações e procuram impedir que grupos bloqueiem rotas naturais ou invadam áreas sensíveis.

Turismo que exige distância

O aumento dos avistamentos beneficia hospedagens, restaurantes e pequenos negócios de vilarejos próximos. A presença dos animais passou a integrar a identidade turística de uma região que, durante anos, acompanhou o declínio da espécie.

Continua após a publicidade

Essa aproximação também traz diversos riscos. Ursos que encontram alimento perto de casas ou perdem o receio das pessoas podem se aproximar de povoados sem medo. Em 2025, seis animais habituados à presença humana foram capturados e afastados de áreas povoadas nas Astúrias, conforme informou a Fundación Oso Pardo.

O turismo responsável depende, portanto, da mesma cautela que permitiu a recuperação. Os visitantes devem manter distância, evitar ruídos, não oferecer comida e respeitar as zonas de acesso restrito. A proposta não consiste em perseguir o animal até conseguir uma fotografia, mas em observar a paisagem e esperar que ele apareça por conta própria.

O retorno do urso-pardo modificou a economia, a rotina e os costumes da região montanhosa. Entretanto, a espécie permanece vulnerável e ainda enfrenta problemas como o isolamento genético entre grupos, a baixa sobrevivência de filhotes e os conflitos em áreas habitadas.

Continua após a publicidade

O mesmo encontro que atrai turistas às montanhas espanholas só se tornou possível após décadas de proteção. Preservar essa distância será decisivo para que os ursos continuem ocupando o território que quase perderam.