Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que 96% das amostras de atum-gaiado analisadas apresentavam parasitas. A espécie, também conhecida como bonito-listado, foi a terceira mais capturada no mundo em 2022, com 3,1 milhões de toneladas, sendo usada para conservas e produtos enlatados.
O estudo foi publicado na revista Ocean and Coastal Research, referência internacional em ciências, no fim de julho. Ao todo, foram analisados 53 peixes, coletados em 2019 e 2021, em áreas marítimas próximas ao Sul do Brasil, do Uruguai e da Argentina. A análise foi realizada pelo Laboratório de Sanidade de Organismos Aquáticos (AQUOS) da UFSC.
Segundo a pesquisa, o intestino foi o órgão com maior número absoluto de parasitas (596), seguido pelo tecido muscular (441) e pelo estômago (408). Ao todo, 58,5% de todos os atuns examinados continham parasitas diretamente nos filés.
Desta forma, 51 das 53 amostras analisadas estavam com parasitas. Em contrapartida, apenas o coração e os rins dos peixes estavam completamente livres de contaminação em todas as amostras.
Quais foram os parasitas encontrados na pesquisa?
A contaminação por parasitas costuma iniciar no trato gastrointestinal e nas vísceras do animal. No entanto, após a morte do peixe, as larvas podem migrar para os tecidos adjacentes, penetrando na musculatura que será consumida. Veja quais parasitas foram identificados:
- Anisakis sp. (Nematoda): verme cilíndrico encontrado principalmente nas vísceras e na musculatura.
- Ordem Trypanorhyncha (Cestoda): verme plano localizado exclusivamente na musculatura.
- Rhadinorhynchus sp. (Acanthocephala): parasita de cabeça espinhosa focado no sistema digestivo (intestino e estômago)
Enquanto o Rhadinorhynchus sp. não possui registros como causador de doenças em humanos, os parasitas Anisakis sp. e Trypanorhyncha possuem alto potencial zoonótico, sendo capazes de comprometer a saúde humana.
Quais os impactos do consumo do atum contaminado?
A ingestão acidental de peixe cru ou mal cozido contendo larvas vivas de Anisakis sp. pode causar a anisaquíase humana. Uma vez no organismo, o parasita pode penetrar na parede do estômago ou do intestino, desencadeando infecções agudas com sintomas como dores abdominais intensas, náuseas, vômitos e diarreia.
Embora o congelamento a -20°C por 24 horas ou o cozimento acima de 60°C por pelo menos 10 minutos sejam eficazes para matar as larvas, muitos alérgenos do Anisakis são termoestáveis e resistem a temperaturas extremas. Isso significa que mesmo proteínas de parasitas mortos permanecem ativas e podem desencadear reações de hipersensibilidade severas, incluindo urticária e choque anafilático, em indivíduos sensibilizados.
O que pode ser feito?
A principal medida proposta é a evisceração do atum seja feita imediatamente após a captura, ainda a bordo das embarcações. A remoção ágil das vísceras impede o tempo de migração pós-morte das larvas para os filés de carne do peixe.
A pesquisa também destaca que as indústrias de processamento e os órgãos públicos de vigilância sanitária precisam estabelecer protocolos de inspeção visual e controle sanitário mais rigorosos.




