Rafael Nadal, ex-número 1 do mundo, disse: “Antes as pessoas economizavam para comprar uma casa ou um carro. Agora, as pessoas valorizam muito as experiências”

Entenda por que a mudança de hábito que o ex-tenista descreve tem duas explicações possíveis, e por que a segunda quase nunca aparece na conversa

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Retrato recente de Rafael Nadal em evento ou entrevista

Rafael Nadal encerrou a carreira em novembro de 2024, com 22 títulos de Grand Slam. (Foto: Reprodução)

Existe uma conta que muita gente da geração dos pais fazia sem discutir. Trabalhar, guardar, dar entrada, financiar em vinte anos. A casa própria era o objetivo declarado, e o carro vinha logo depois. Quem chegava aos quarenta sem os dois sentia que havia se atrasado em relação a um cronograma que ninguém escreveu, mas todos conheciam.

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Essa conta parou de fechar para muita gente. E o que apareceu no lugar dela não foi um novo objetivo de longo prazo, foi outra coisa: gastos menores, mais frequentes, que não acumulam patrimônio e deixam foto. A pergunta é se isso aconteceu por mudança de valores ou por mudança de preços.

Rafael Nadal, ex-número 1 do mundo e vencedor de 22 títulos de Grand Slam, descreveu a primeira dessas explicações em entrevista à CNBC.

“Antes as pessoas economizavam para comprar uma casa ou um carro. Agora, as pessoas valorizam muito as experiências e investem bastante em viagens e em conhecer lugares diferentes.”

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Qual das duas contas você fez nos últimos cinco anos?

O que essa declaração ensina sobre prioridades

A observação de Nadal tem valor porque vem de quem observa o fenômeno de dentro. Ele não está especulando sobre um mercado que desconhece: depois de encerrar a carreira, investiu no setor hoteleiro, e a entrevista à CNBC trata exatamente disso. A mudança de comportamento que ele descreve é a premissa do negócio dele.

Isso não invalida a leitura. Torna-a mais informada e, ao mesmo tempo, exige que o leitor saiba de onde ela vem. Quem investe em hotel tem interesse direto em que as pessoas viajem mais, e quem viveu vinte anos em turnê internacional tem uma relação com deslocamento que não é a da maioria. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.

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A mudança de valores versus a mudança de preços

Existe uma segunda explicação para o mesmo fenômeno, e ela aparece na própria cobertura da entrevista. O aumento do preço dos imóveis, a alta dos juros e a dificuldade de reunir o valor da entrada reduziram o número de compradores em muitos países. Não é uma explicação alternativa à de Nadal, é complementar, e muda o que a frase significa.

Se as pessoas trocaram a casa pela viagem porque passaram a valorizar experiências, houve escolha. Se muitas foram empurradas para fora do mercado imobiliário e redirecionaram o que sobrava, houve substituição. As duas produzem exatamente a mesma estatística de consumo, e são situações opostas em termos de bem-estar.

Em Santa Catarina, onde o metro quadrado subiu de forma acentuada nos últimos anos no litoral e nas capitais regionais, a distinção não é acadêmica. Ela separa quem viaja porque quer de quem viaja porque a casa saiu do alcance.

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O que a observação mostra sobre a economia da experiência

Independentemente da causa, o efeito é mensurável. O turismo cresceu de forma consistente nos últimos anos, impulsionado por lazer, descanso e busca de novidade, e ocupa hoje uma fatia maior do orçamento familiar do que ocupava há duas décadas.

Isso reorganizou setores inteiros. Hotelaria, transporte aéreo, plataformas de hospedagem e serviços de viagem passaram a disputar um dinheiro que antes ia para construtora e concessionária. Nadal, que também mantém academia de tênis e outros negócios, entrou nesse mercado no momento em que ele se consolidava. A frase dele é, ao mesmo tempo, diagnóstico e justificativa.

A observação de Nadal capta algo real e captou antes de muita gente, o que explica em parte o sucesso dele fora das quadras. Vale guardar a frase e vale guardar também a pergunta que ela não faz: se essa troca foi escolhida por quem a fez, ou apenas aceita.

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Você pode gostar de ver também que Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro: “O conhecimento serve para encantar as pessoas, não para humilhá-las”; a frase que deveria estar na parede de todo chefe que corrige o funcionário na frente dos outros.