Nancy Grace Roman não viu o foguete partir. Morreu em 2018, aos 93 anos, quase oito anos antes de um Falcon Heavy deixar a Flórida levando ao espaço um telescópio com seu nome. Ainda assim, havia algo profundamente ligado à trajetória dela naquele lançamento.
Durante boa parte da vida, Roman trabalhou para convencer cientistas, administradores e políticos de que a astronomia precisava sair do chão. Em 30 de agosto de 2026, o observatório que a homenageia decolou do Centro Espacial Kennedy e iniciou sua viagem.
A NASA confirmou que o Observatório Roman se separou do foguete e abriu os painéis solares e o escudo solar. Agora, seguirá por cerca de três meses e 1,6 milhão de quilômetros, com as primeiras imagens previstas para o começo de 2027.
Menina das estrelas
Nascida em Nashville, em 1925, Roman cresceu mudando de cidade por causa do trabalho do pai, um geofísico. A mãe mostrava pássaros, árvores e constelações durante caminhadas, mas foram as estrelas que a marcaram.
Aos 11 anos, ela reuniu colegas em um clube para observar e estudar as constelações. Na adolescência, já queria ser astrônoma, embora encontrasse resistência. Quando pediu para estudar mais álgebra no ensino médio, sua escolha foi recebida com desprezo pela orientadora.
Mesmo assim, Roman seguiu adiante. Formou-se em astronomia pelo Swarthmore College, em 1946, e concluiu o doutorado na Universidade de Chicago em 1949. Depois de trabalhar no Observatório Yerkes, percebeu que as portas da carreira acadêmica continuavam estreitas para mulheres, tema que também aparece hoje em iniciativas de incentivo a meninas na ciência em SC.

Um lugar na NASA
A saída veio pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos. Em 1959, poucos meses depois da criação da NASA, perguntaram a Roman se ela conhecia alguém interessado em montar um programa de astronomia espacial. Ela indicou a si mesma e foi contratada.
No ano seguinte, tornou-se chefe dos programas de astronomia e relatividade e a primeira mulher em um cargo executivo da agência. O trabalho não era apenas observar o céu: Roman precisava decidir quais projetos poderiam chegar ao espaço e conquistar apoio para eles.

Entre suas ideias estava a instalação de um grande telescópio acima da atmosfera terrestre. Ela ajudou no planejamento e conduziu diálogos com Washington para tirar o projeto do papel, tornando-se conhecida como a “mãe do Hubble”.
Nome entre estrelas
Em 2020, a NASA rebatizou o então WFIRST como Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. O novo observatório tem espelho de 2,4 metros, como o Hubble, mas seu campo de visão é pelo menos 100 vezes maior e permite mapear grandes regiões do céu com rapidez.
A missão investigará energia escura, matéria escura, bilhões de galáxias e sistemas planetários. Seu instrumento principal possui cerca de 300 megapixels, enquanto um coronógrafo testará tecnologias para bloquear a luz de estrelas e observar planetas.









