Nave de proteção planetária que vai perseguir asteroide gigante ‘acorda’ pela primeira vez antes de encontro com a Terra

Missão Ramses terá de ficar pronta em ritmo acelerado para alcançar Apophis antes de passagem histórica pelo planeta em 2029

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Asteroide de cerca de 375 metros chegará a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre (Foto: Agência Espacial Europeia - Science Office)

Asteroide de cerca de 375 metros chegará a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre (Foto: Agência Espacial Europeia - Science Office)

Uma nave criada para ajudar a humanidade a se preparar contra possíveis ameaças espaciais foi ligada pela primeira vez. A Ramses entrou em uma nova fase de desenvolvimento, em uma corrida mecânica para ficar pronta para o asteroide Apophis.

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Atualmente, os cientistas acionaram seus computadores de bordo e iniciaram os primeiros testes de comunicação entre os componentes da nave. A primeira missão de Ramsés está agendada para a primavera de 2028, em que ele iniciará sua rota em direção ao asteroide.

Como seria a defesa planetária?

Nave finalmente ligada

A primeira ativação aconteceu depois do teste de diversos componentes da nave. Com a nova etapa, o computador de bordo e os subsistemas instalados no módulo central puderam receber energia e funcionar em conjunto pela primeira vez.

Isso ainda não significa que a Ramses esteja pronta. A nave permanece em construção e deverá receber novos equipamentos antes de passar por outras etapas de verificação. O módulo central está sendo produzido pela OHB Italia.

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Durante a ativação, comandos puderam ser enviados pelo computador da espaçonave para verificar como os sistemas integrados respondiam. O procedimento representa mais uma fase da preparação para um cronograma que terá pouca margem para atrasos.

Encontro com Apophis

O alvo da missão é o asteroide Apophis, com aproximadamente 375 metros de diâmetro. Em 13 de abril de 2029, ele passará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície da Terra, distância inferior à órbita de alguns satélites geoestacionários.

Apesar da proximidade, os astrônomos descartaram o risco de colisão com o planeta. O interesse científico está justamente na oportunidade de acompanhar um objeto desse tamanho durante uma passagem tão próxima e realizar testes para eventos futuros.

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A Ramses deverá analisar Apophis antes, durante e depois do encontro. Os cientistas querem identificar possíveis mudanças na superfície, no formato, na rotação e na estrutura do asteroide provocadas pelas forças gravitacionais da Terra.

Esses efeitos podem provocar deformações ou deslocamentos de material na superfície. Com isso, o encontro funcionará como uma espécie de experimento natural, capaz de revelar informações sobre a composição e a estrutura interna do objeto.

Testes ficam mais duros

Após o primeiro acionamento, a Ramses seguirá para uma sequência de testes integrados mais exigentes. Os engenheiros tentarão reproduzir condições encontradas durante o lançamento, a viagem e a operação no espaço.

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Uma das etapas previstas colocará a espaçonave em um ambiente de vácuo e temperaturas extremas durante duas a três semanas, período no qual os sistemas funcionarão continuamente. 

A pressa tem uma explicação simples: a data do encontro com Apophis não pode ser adiada. Se a nave não ficar pronta a tempo, perderá a oportunidade de acompanhar uma das aproximações de asteroides mais importantes previstas para os próximos anos.

Além de estudar Apophis, a missão faz parte dos esforços de defesa planetária para entender melhor objetos próximos da Terra e preparar tecnologias que possam ser utilizadas caso um corpo realmente perigoso seja identificado no futuro.