O que aconteceria se uma supertempestade solar atingisse a Terra

Simulação realizada pela Agência Espacial Europeia tem o objetivo de preparar protocolos para limitar danos

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Terra já foi atingida por tempestade solar em 2025. Foto: banco de imagens

Imagine que você está em casa, assistindo televisão enquanto confere as redes sociais e aguarda a entrega de um lanche pedido por um aplicativo de delivery. De repente tudo para de funcionar: energia elétrica acaba, internet cai, sistemas de telefonia saem do ar e o GPS do entregador é desativado sem qualquer aviso. Uma pane geral em diversos mecanismos que causaria um colapso global.

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Pode parecer cenário de filme. Mas foi exatamente isso que a Agência Espacial Europeia (ESA) tentou reproduzir nesta quinta-feira (16). A organização simulou uma supertempestade solar, semelhante a que atingiu a Terra em 1859, fato que ficou conhecido como o Evento de Carrington – a tempestade solar mais forte presenciada pela humanidade.

O exercício foi planejado como parte da preparação para o lançamento do satélite Sentinel-1D, que vai ocorrer no dia 4 de novembro. Inicialmente, o disparo e a separação do satélite correram normalmente, mas a situação mudou drasticamente: o cenário simulou uma erupção solar colossal de classe X45 (o tipo mais intenso), fazendo com que falhas surgissem nos dados e o sinal do satélite se tornasse instável. 

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As equipes de engenheiros e especialistas em clima espacial da ESA foram forçadas a reagir a falhas simultâneas em comunicações, radares e sistemas de navegação.

A missão da ESA com o teste

O principal objetivo dessa simulação não é encontrar boas soluções, pois diante de um evento dessa magnitude, elas não existiriam. O foco é testar a capacidade de reação humana e a coordenação das equipes em um cenário de apagão global iminente. 

Ao simular uma crise onde satélites perdem o controle, GPS sai do ar e redes elétricas colapsam, a ESA visa determinar os melhores protocolos para manter o satélite seguro e limitar os danos às missões e infraestruturas críticas da Terra.

O que é uma tempestade solar?

São grandes erupções solares que liberam grandes quantidades de plasma, gases e outras partículas. Essas explosões liberam energias que podem interagir com o campo magnético da Terra, o que afetaria sistemas de comunicação, GPS, internet, telefonia, eletricidade, entre outros serviços e tecnologias.

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Tempestades solares não são raras. O Sol funciona em ciclos que levam cerca de 11 anos e, em alguns períodos nessas etapas, eventos como as erupções ocorrem com frequência. O que é incomum é que essas explosões sejam fortes o bastante para chegar com energia suficiente para impactar a vida na Terra.

Entre junho e setembro desse ano, algumas tempestades solares atingiram a Terra e preocuparam cientistas. Os eventos causaram auroras intensas em regiões incomuns, como na Itália e em Portugal.

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Quais seriam as consequências de uma supertempestade solar na Terra?

Quando o nosso planeta foi atingido pelo “Evento Carrington”, a tecnologia ainda era primária. Não havia, por exemplo, internet e GPS. Apesar disso, houve danos significativos, como incêndios em linhas de transmissão, e até mesmo aparições de auroras em regiões improváveis, como Cuba.

Caso algo semelhante acontecesse nos dias atuais, enfrentaríamos uma grave pane global, visto que somos dependentes de tecnologias como a internet e o GPS, que seriam fortemente afetadas e provavelmente deixariam de funcionar, causando impacto em serviços essenciais como os hospitais, transportes e sistemas financeiros, por exemplo.

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Além do cenário catastrófico na Terra, a supertempestade solar também danificaria os satélites em órbita, interrompendo a comunicação, inutilizando peças e dispositivos e até mesmo tirando-os do trajeto de missão, podendo causar colisões.

Há previsão de supertempestade solar para o futuro?

Os cientistas acreditam que a Terra será “alvo” de tempestades solares de intensidade baixa e moderada até o final de 2027 devido ao pico de atividade do ciclo solar. Porém, os riscos de panes em sistemas globais são considerados extremamente baixos.

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Apesar do aumento da atividade no pico do ciclo solar, que representa uma frequência maior das tempestades, a maioria dos eventos é inofensivo à Terra, devido à distância do nosso planeta para o Sol e também há outros sistemas naturais de defesa, como o próprio campo magnético e a gravidade.